MOSTRA-Jovem da periferia revela sua história em "Jardim Ângela"

terça-feira, 23 de outubro de 2007 17:41 BRST
 

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Nem Luciano Huck, capitão Nascimento ou Zé Pequeno. O documentário "Jardim Ângela", em cartaz na 31a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, dá voz a outro personagem da violência no país --os jovens da periferia, que pegaram em câmeras para exibir suas versões da criminalidade, da favela e da esperança.

O filme, dirigido por Evaldo Mocarzel, foi construído a partir de uma oficina de cinema em 2005 no bairro Jardim Ângela, região carente de São Paulo.

Entre os jovens que se matriculam, muitos dos quais com passagem pela Febem, se destaca Washington, então com 18 anos. Franzino e falador, ele vira o protagonista do documentário, narrando nos intervalos do curso os anos em que trabalhou no tráfico.

Segundo Mocarzel, Washington chamou sua atenção durante um exercício da oficina, quando o rapaz cria um plano cinematográfico com as casas de uma favela ao fundo e seu corpo à frente, cheio de cicatrizes, através das quais ele conta como quase morreu ao ser baleado pelas costas.

"Fiquei bastante a mercê do acaso, não havia pesquisa, personagem, apenas uma contextualizacão de uma oficina. Até que o Washington fez aquele plano do corpo dele, com a periferia ao fundo. Ali nasceu o documentário e o protagonista", disse Mocarzel à Reuters.

O diretor, que ministrou a oficina enquanto outra pessoa registrava as cenas, segue o grupo de Washington na filmagem de uma história sobre um pai alcoólatra que acaba morto pelo próprio filho.

"Não é à toa que ele roubou, digamos assim, a cena no documentário e também do filme que eles estavam fazendo (na oficina)", disse o diretor. "Ele aprendeu a filmar, ele dirigiu o filme, fez o roteiro, trouxe a dramaturgia."

FILME DENTRO DO FILME   Continuação...

 
<p>Nem Luciano Huck, capit&atilde;o Nascimento ou Z&eacute; Pequeno. O document&aacute;rio 'Jardim &Acirc;ngela', em cartaz na 31a Mostra Internacional de Cinema de S&atilde;o Paulo, d&aacute; voz a outro personagem da viol&ecirc;ncia no pa&iacute;s --os jovens da periferia, que pegaram em c&acirc;meras para exibir suas vers&otilde;es. Photo by $Byline$</p>