Carnegie Hall vira "templo" da bossa nova com João Gilberto

terça-feira, 24 de junho de 2008 11:33 BRT
 

* Repete texto para esclarecer que "O Pato" é de autoria dos compositores Jayme Silva e Neuza Teixeira, e não de João Gilberto.

Por Adriana Garcia

NOVA YORK (Reuters) - O homem, uma cadeira, um violão. Nada de jogos de luz, cenografia ou efeitos especiais. Era só João Gilberto, que repetiu timidamente seu ritual de décadas no palco do Carnegie Hall na noite de domingo para rezar a fina liturgia da bossa nova.

No ano em que o movimento musical completa 50 anos, Gilberto voltou ao palco do teatro nova-iorquino que ajudou a espalhar o ritmo para o mundo e fez dele um ícone. Foi aplaudido em pé logo na entrada.

Destilou 22 músicas em pouco menos de duas horas, misturando, como esperado, sambas antigos que dão saudade da Bahia e sucessos que refletiam os romances de um Rio de Janeiro idílico e urbano no final dos anos 1950 e começo dos 1960.

Cabisbaixo, ele simplesmente sentou-se sem olhar para as mais de 2.000 pessoas que o observavam com veneração e disparou "Doralice", de Dorival Caymmi, seguida dos clássicos "Chega de Saudade" e "Corcovado".

De olhos quase sempre fechados, seguiu em frente com "Morena Boca de Ouro", de Ary Barroso, e "Preconceito", sucesso dos anos 1940 na voz de Orlando Silva.

Cantou então "O Pato", de Jayme Silva e Neuza Teixeira, que gerou aplausos logo na introdução, assim como no início de várias outras músicas, e "Aos Pés da Santa Cruz", um samba de Marino Pinto e Zé da Zilda.

Hora de começar a oitava música, hora de pedir ajustes técnicos. "Desculpa, um pouco mais de violão", disse Gilberto sussurradamente em inglês ao microfone.   Continuação...