ESTRÉIA-"O Signo da Cidade" revela histórias do cotidiano de SP

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008 10:51 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A cidade de São Paulo é uma personagem, ainda que não a principal nem a maior, do filme "O Signo da Cidade", em que a atriz Bruna Lombardi demonstra uma sensível evolução como roteirista.

Ela arma um caleidoscópio em que brilham as luzes individuais de muitas pessoas, que formam a constelação frenética de uma das maiores metrópoles do mundo.

O olho fino de Bruna encontra, entre as fibras endurecidas da cidade-gigante, sinais de uma vida miúda, a das emoções básicas de todo mundo.

Por isso, a história de Bruna, dirigida pelo marido Carlos Alberto Riccelli, é também universal.

O filme é feliz nessa fusão do que é pequeno e grande, do particular e do geral, porque se ampara num ritmo suave, que dá tempo para que várias histórias se revelem.

O fio condutor está nas mãos da astróloga Teca (a própria Bruna), que tem um programa de rádio. Teca acolhe, escuta, dá conselhos. E testa os limites de seus pequenos poderes.

Nem sempre a astróloga dá conta de melhorar essas vidas, e nem mesmo a sua própria anda tão bem. Magoada pela separação recente, ela se envolve na vida dos vizinhos, o atraente Gil (Malvino Salvador) e sua mulher (Denise Fraga), que também estão em crise.

Com o próprio pai (Juca de Oliveira), Teca vive um dilema bem mais forte e antigo. A amiga de sua mãe que morreu, que ela sempre viu como uma espécie de tia, tem um segredo para lhe contar.

O mundo lá fora anda pesado. Há racismo, como o vivido tanto pelo enfermeiro Sombra (Luís Miranda) e o travesti Josialdo (Sidney Santiago). E há a inadequação, como o emo Biô (Bethito Tavares), mergulhado nas baladas em busca de diversão e amor.   Continuação...