Tropas de choque artísticas zombam do establishment russo

sexta-feira, 25 de julho de 2008 10:34 BRT
 

Por Thomas Peter

MOSCOU (Reuters) - Carregando sacos de alimentos roubados, Oleg Vorotnikov tira a bateria de seu celular antes de entrar na sede secreta de seu coletivo de arte underground na periferia de Moscou.

"É para impedir que a polícia nos grampeie", disse o estudante de arte de 29 anos, que fundou o coletivo Voina (guerra) em 2007 com outros artistas politicamente engajados.

Em um país em que a oposição tradicional ao governo vem perdendo força devido à apatia pública e ao jornalismo televisivo pró-Kremlin, esses artistas adotam uma abordagem diferente: eles zombam do establishment. Quanto mais absurdas suas intervenções, melhor.

Eles se debruçam sobre seus laptops em seu QG, uma garagem improvisada, editando vídeos de sua performance mais recente: um chá das cinco improvisado numa delegacia de polícia.

Por falta de cadeiras, eles se sentam sobre gaveteiros e um aparelho de TV. Máquinas fotográficas, filmadoras e livros de poesia estão espalhados pelo chão.

"Sempre fazemos coisas que infringem as normas. Combinamos arte e política para realizar algo novo", disse Kotyonok, uma jovem esbelta que leciona física numa universidade de Moscou e deu apenas seu apelido, que significa "gatinha".

"As pessoas assistem ao que fazemos e se chocam."

O Voina ficou conhecido no cenário dos bloggers russos com uma performance que fazia um comentário irônico sobre a transferência de poder entre o ex-presidente Vladimir Putin e seu sucessor, Dmitry Medvedev, qualificada por opositores como não democrática.   Continuação...