México é o país mais perigoso para jornalistas, diz organização

sexta-feira, 27 de junho de 2008 22:48 BRT
 

CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O México se tornou no últimos anos o país mais perigoso na região para o jornalismo e o governo deveria endurecer as investigações e as punições contra a liberdade de expressão, disse na sexta-feira a Sociedade Inter-americana de Imprensa (SIP).

O país tem sido sacudido nos últimos anos por uma onda de violência criminal, alimentada principalmente pelas guerras entre cartéis do narcotráfico pelo controle das rotas para levar drogas para os Estados Unidos. Mais de 1.600 pessoas morreram neste ano por conta disso.

Segundo registros da SIP, ao menos sete jornalistas morreram até agora neste ano no país e 3 estão desaparecidos, disse em entrevista coletiva o presidente da comissão de liberdade de imprensa e informação da organização, Gonzalo Marroquín.

O número de vítimas "é um aumento em comparação com os anos anteriores", disse o diretor da organização, que agrupa centenas de meios de comunicação privados na América Latina e Caribe e também a jornais e revistas nos EUA, Canadá e Europa.

"Até o fim do século passado a Colômbia era o país onde era mais perigoso exercer o jornalismo, eu diria que nesses últimos anos o México se converteu no país mais perigoso para os jornalistas", acrescentou.

A situação faz com que alguns veículos comecem a autocensura, disse a SIP em uma "Declaração do México" entregue aos veículos, e estaria mais grave por conta do "alto nível de impunidade" nos delitos contra jornalistas e veículos de imprensa no país.

A SIP pediu ao governo do presidente Felipe Calderón, que usa milhares de soldados e policiais em um esforço para conter a violência, para endurecer as penas para os crimes contra a liberdade de expressão e imprensa, ao mesmo tempo em que pediu ao Congresso que federalize esses delitos.

(Reportagem de Tomás Sarmiento)