ESTRÉIA-Obra de Stephen King inspira suspense "O Nevoeiro"

quinta-feira, 28 de agosto de 2008 12:37 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O suspense "O Nevoeiro", que estréia em todo país na sexta-feira, é baseado em uma história de Stephen King, mestre do gênero, e traz algo mais além dos inevitáveis sustos proporcionados pelos efeitos especiais.

O nome do escritor pode afastar quem já está cansado de filmes com temas sobrenaturais e alienígenas ou não tem se empolgado com as adaptações mais recentes de suas obras (caso de "O Apanhador de Sonhos").

Mas não há nada a temer. Com dois filmes baseados em histórias do escritor ("A Espera de um Milagre" e "Um Sonho de Liberdade"), o diretor Frank Darabont ("Cine Majestic") é um dos adaptadores mais fiéis do universo de King e não costuma desagradar aos fãs do autor, e mesmo quem nunca o leu.

A ação é desencadeada pelo fenômeno do título. Depois de uma forte tempestade, uma névoa cobre uma pequena cidade do Maine -- cenário favorito de King --, onde todos parecem se conhecer.

Um grupo de pessoas fica preso num mercado, que serve como um microcosmo da sociedade norte-americana. Aqueles que se aventuraram a sair não voltam. O que de tão mortal esconde esse nevoeiro?

Darabont e seus efeitos especiais mostram muito pouco do inimigo escondido no nevoeiro, um tentáculo aqui, algo ainda mais repelente ali. O que interessa para o diretor é a disputa de poder que se instaura naquele ambiente.

David (Thomas Jane, de "Pecado Original") parece ser um líder nato e toma a frente no comando. Porém, ele sempre é democrático, consultando a todos sobre o que fazer.

Quem não concorda muito com ele é o seu vizinho Brent (Andre Braugher, de "Poseidon"), com quem já teve certas diferenças, e a sra. Carmody (Marcia Gay Harden, de "Na Natureza Selvagem"), uma religiosa fanática que vê no fenômeno inexplicável a ira de Deus.

Esses personagens são mais tipos humanos do que pessoas reais. Não possuem muita densidade emocional ou psicológica, mas isso não é um problema, pois o diretor pretende lidar com a disputa de liderança pelos diversos grupos e as suas consequências.

Publicada nos anos de 1980, a história de King se mantém bastante atual por parecer um comentário sobre os Estados Unidos da era Bush, quando grupos diferentes deveriam cooperar para lidar com uma ameaça externa e desconhecida, como o terrorismo.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb