ESTRÉIA-"Jogos do Poder" discute Afeganistão antes da guerra

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008 12:00 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - "Jogos do Poder", que estréia em todo o país na sexta-feira, traz personagens e guerras reais, com o ator Tom Hanks interpretando o deputado texano Charlie Wilson, figura fundamental nos anos 1980 ao ajudar o Afeganistão a se defender da invasão soviética.

Baseado no livro do jornalista George Crile, o roteiro é assinado por Aaron Sorkin (da série "The West Wing"). A direção cabe ao experiente Mike Nichols ("Closer -- Perto Demais"), que antes já experimentara temas políticos, como em "Segredos do Poder" (1998) e "Ardil 22" (1970).

Wilson é um bon vivant, que vive cercado de champanhe e mulheres bonitas. Entretanto, seu interesse em política externa diferencia-o um pouco dos demais congressistas.

Porém, o que o estimula a ajudar os afegãos contra os soviéticos é uma socialite texana chamada Joanne Herring (Julia Roberts). Ela não pensa duas vezes em usar seu corpo para conseguir favores do deputado, mesmo pregando ser uma mulher muito cristã que odeia comunistas.

É ela quem marca um encontro entre Wilson e seu amigo, o presidente paquistanês Zia (Om Puri). Apesar de o encontro começar com o pé esquerdo, quando o norte-americano pede uma bebida alcoólica -- item proibido no palácio de um muçulmano --, a conversa acaba deslanchando.

O congressista é convidado a visitar um campo de refugiados afegãos naquele país, onde descobre grandes atrocidades de guerra, ao lado de sua assistente Bonnie Bach (Amy Adams).

Entra no jogo o agente da CIA Gust Avrakotos (Philip Seymour Hoffman, indicado ao Oscar de coadjuvante por este trabalho), cuja entrada no escritório de Wilson rende uma das cenas mais engraçadas do filme.

Como nunca foi bem visto na agência, Gust interessa-se por uma aliança com Wilson para armar o Afeganistão, país que é sua especialidade. Juntos, eles criam um plano complicado, que envolve a colaboração de países inimigos, como Israel e o Paquistão.

Mesmo lidando com tantos personagens e um tema tão complexo, Nichols consegue fazer um filme enxuto, de menos de 100 minutos.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)