29 de Novembro de 2007 / às 13:20 / 10 anos atrás

ESTRÉIA-"No Vale das Sombras" faz autocrítica sobre a guerra

<p>-'No Vale das Sombras' faz autocr&iacute;tica sobre a guerra. Diretor canadense Paul Haggis em Foto do Arquivo. O roteirista Paul Haggis mostra uma consider&aacute;vel evolu&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao seu filme de estr&eacute;ia, 'Crash -- No Limite', que no ano passado levou o Oscar na categoria principal. Photo by Vincent Kessler</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Em seu segundo trabalho como diretor, o roteirista Paul Haggis mostra uma considerável evolução em relação ao seu filme de estréia, “Crash -- No Limite”, que no ano passado surpreendeu ao arrebatar o Oscar na categoria principal.

“No Vale das Sombras”, que estréia nacionalmente nesta sexta-feira, tem como temática a guerra do Iraque, mas da perspectiva daqueles que ficam nos Estados Unidos, esperando notícias dos filhos que lutam no exterior.

Se em uma primeira leitura o longa é um filme de investigação policial, uma análise mais aprofundada encontra uma meditação melancólica sobre a guerra e um país cheio de problemas --no caso os EUA--, onde muitos de seus cidadãos ainda não tomaram consciência disso.

Para entrar nessa abordagem, Haggis, que também assina o roteiro, vale-se do drama pessoal de uma família.

Hank Deerfield (Tommy Lee Jones) é um militar aposentado cujo filho deserta o exército após voltar do Iraque. Pouco depois, o corpo do rapaz é encontrado no deserto. O pai se une à detetive Emily Sanders (Charlize Teron) para investigar o crime.

Por diversos motivos, entre eles o fato de ela ser mulher e jovem, Hank não confia muito em Emily e resolve fazer sua própria investigação. À medida que avança, tudo aquilo em que ele acredita --a pátria, o governo, o exército-- começa a desmoronar.

Pouco dado a sutilezas em seus roteiros, Haggis às vezes é excessivamente didático e tende a transformar os personagens em mártires sofredores.

Não bastasse Emily ser mãe solteira, ela é a única mulher em seu departamento, tendo que lidar constantemente com o preconceito.

A mulher de Hank (interpretada por Susan Sarandon) também passa boa parte do tempo sofrendo à distância, esperando em casa por notícias sobre o filho.

O filme encontra um diálogo com o público norte-americano ao levar os efeitos da guerra para dentro de seus lares, além de fugir do clichê preconceituoso de atribuir toda a culpa da crise iraquiana aos árabes.

Haggis aponta que o grande problema dos EUA está dentro do próprio país -- ou seja, para ele, a ameaça interna é maior e pior do que a externa.

Já para o restante do mundo, “No Vale das Sombras” procura ser um lembrete de que nem todos os norte-americanos são favoráveis à atual política externa de seu país.

Por Alysson Oliveira, do Cineweb

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