29 de Novembro de 2007 / às 14:11 / 10 anos atrás

ESTRÉIA-"A Vida dos Outros" revisita passado recente da Alemanha

SÃO PAULO, 29 de novembro (Reuters) - O drama alemão “A Vida dos Outros”, ganhador do Oscar de melhor filme em língua estrangeira, se passa, não por acaso, em 1984, em um ano que serve como alusão ao livro de George Orwell. Nas duas obras, estão em jogo a vigilância estatal e a volta de um regime parecido com o estalinismo.

O filme estréia na sexta em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O cenário é Berlim Oriental, cuja população é vigiada pelos integrantes da Stasi -- a polícia política da República Democrática Alemã -- e também por informantes civis, que correspondem a mais de 2 por cento da população da cidade.

Entre os funcionários mais dedicados e competentes dessa polícia secreta está o capitão Wiesler (Ulrich Muhe, que morreu em julho passado).

Wiesler é um torturador competente e tão seguro de seus métodos que grava interrogatórios para serem exibidos em suas aulas na Escola de Segurança do Estado.

Um amigo o convida para ver a estréia de uma peça de Georg Dreyman (Sebastian Koch) -- conhecido como o único dramaturgo não-subversivo da RDA lido no ocidente. O investigador duvida que o escritor seja tão inocente e assume como desafio pessoal investigá-lo.

Começam os procedimentos básicos, como grampear o telefone de Dreyman e fazer relatórios diários sobre a vida do escritor.

Essa investigação leva Wiesler a descobrir que a namorada do dramaturgo e também atriz de suas peças, Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck, de “O Bom Pastor”), tem um caso com o chefão do partido do governo, que promete à moça não apenas ascensão em sua carreira, mas também acesso a drogas proibidas no país.

No entanto, “A Vida dos Outros” subverte expectativas ao envolver o capitão de tal modo com a vida do dramaturgo e sua namorada, a ponto de sentir raiva de Christa-Maria por trair Dreyman. Wiesler identifica-se de tal modo com ele que se convence da inocência do outro e passa a protegê-lo.

“A Vida dos Outros” trata da progressiva desilusão de dois homens, Dreyman e Wiesler, com aquilo em que mais acreditam. Em momento algum, o diretor e roteirista Florian Henckel von Donnersmarck reduz seus personagens ou o meio em que eles habitam.

A grande qualidade de “A Vida dos Outros” é revisar e, de certa forma, investigar o passado recente de seu país, abordando as contradições da República Democrática Alemã sob uma outra perspectiva histórica.

Por Alysson Oliveira, do Cineweb

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