ENTREVISTA-Ancine lançará fundo para tornar cinema mais rentável

segunda-feira, 2 de junho de 2008 11:51 BRT
 

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - A Agência Nacional de Cinema lança nos próximos meses o Fundo Setorial do Audiovisual, com o qual pretende buscar rentabilidade de filmes e empresas do setor, para que o cinema nacional possa caminhar com as próprias pernas.

O Fundo Setorial, aprovado em lei em 2006, será implementado entre julho e agosto, com 50 milhões de reais. Irá trabalhar com linhas de financiamento e recursos reembolsáveis, e não com dinheiro a fundo perdido, característica das leis de incentivo atuais.

"O que se espera é estabelecer um ciclo virtuoso", disse à Reuters por telefone o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel. "Ou seja, auxiliar no processo para que nossos produtos persigam maior rentabilidade, uma auto-sustentabilidade."

A produção do cinema brasileiro saltou de três filmes em 1992 para 29 filmes em 2003 e cerca de 80 em 2007, com ajuda das leis de incentivo fiscal, que só no ano passado ficou na ordem dos 137 milhões de reais.

O público e a venda de ingressos, no entanto, não seguiram o mesmo ímpeto de crescimento. Encolheu de 22 milhões de espectadores em 2003 para 10,3 milhões em 2007, patamar que vem mantendo desde 2005.

"Esses filmes (maioria dos filmes nacionais) não têm o desempenho de bilheteria que nós gostaríamos que tivessem. Mas é um fenômeno mundial", explica Rangel, justificando que no mundo todo as bilheterias de cinema caíram.

Para Sérgio Sá Leitão, um dos diretores da Ancine, o problema está na superprodução do cinema nacional -- o mercado não dá conta do número excessivo de filmes produzidos.

"É preciso que tanto a política pública quanto o financiamento público sejam alavancadores do desenvolvimento dessa indústria, e não simples mantenedores", disse Sérgio.   Continuação...