ESTRÉIA-Irmãos Coen retomam ironia em drama indicado a 8 Oscars

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008 11:47 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O humor negro e uma fina ironia diante do lado escuro da alma humana frequentam habitualmente a obra dos irmãos cineastas Joel e Ethan Coen ("Fargo" e "E Aí Meu Irmão, Cadê Você?"). Mais uma vez, este é o tom em "Onde os Fracos não Têm Vez".

O drama indicado a oito Oscars -- entre eles melhor filme, diretor, ator coadjuvante -- estréia em todo país nesta sexta-feira.

O roteiro, também assinado pela dupla, parte do romance "Onde Os Velhos Não Têm Vez", do norte-americano Cormac McCarthy, considerado um dos melhores escritores em atividade dos Estados Unidos.

Na fronteira do Texas, região do Rio Grande, um sujeito comum chamado Llewelyn Moss (Josh Brolin, "Planeta Terror") encontra uma picape cercada de corpos, com 2 milhões de dólares e uma grande quantidade de heroína.

Moss nem desconfia que ao pegar do dinheiro desencadeará uma série de acontecimentos que poderão culminar em sua ruína. Especialmente porque isso coloca em seu caminho Anton Chigurh (Javier Bardem, de "O Amor nos Tempos do Cólera"), um assassino sem escrúpulos ou limites.

A terceira peça desse jogo é o xerife Ed (Tommy Lee Jones, de "No Vale das Sombras"), a voz da razão nesse inferno povoado por homens sem escrúpulos. Ele está prestes a se aposentar. Este poderá ser seu último caso antes do adeus à profissão, a mesma, aliás, de seu pai e avô.

Chigurh não mede esforços para ir atrás daquilo que julga ser seu e foi roubado. Isso significa dizer que absolutamente ninguém fica em seu caminho -- aparentemente, ninguém sobrevive a um encontro com esse homem, é bom dizer.

Indicado ao Oscar de coadjuvante por esse trabalho, o ator espanhol Javier Bardem parece vestir Chigurh como uma segunda pele. Seu olhar sempre parado, seu corte de cabelo engraçado e suas atitudes imprevisíveis transformam-no numa das figuras mais assustadoras do cinema dos últimos tempos.

Essa interpretação já lhe rendeu diversos prêmios, como o Globo de Ouro e o do Sindicato dos Atores da América, e o coloca como favorito para o da Academia de Ciências e Artes Cinematográficas, que será anunciado dia 24 próximo.

O tom irônico dos filmes dos Coen encontrou na obra de McCarthy uma profundidade muito bem-vinda abordando uma história tipicamente norte-americana de ambição desmedida, onde será inevitável correr muito sangue.

(Por Alysson Oliveira do Cineweb)