Exposição de Cartier-Bresson revela sua dívida com a pintura

terça-feira, 23 de setembro de 2008 16:36 BRT
 

Por Andrew Stern

CHICAGO (Reuters) - Certa vez, Irving Penn chamou o fotógrafo Henri Cartier-Bresson de "ladrão" pois ele fez um retrato de Penn enquanto ele descansava com seu irmão Arthur, sem que ele soubesse. Como se nada tivesse acontecido, Cartier-Bresson sentou-se e conversou com Penn por 20 minutos.

"Ele é como um ladrão, mas não fere ninguém", disse Penn, segundo lembrou David Travis, curador do Instituto de Arte de Chicago. No fim das contas, Penn gostou do retrato.

O Instituto de Arte está entre as várias instituições que exibem fotografias de Cartier-Bresson, um dos fotógrafos mais famosos do mundo, no centenário de seu nascimento, em 1908. Ele morreu aos 95 anos, em 2004, tendo desistido da fotografia décadas antes. A mostra acontecerá até o dia 4 de janeiro.

Pioneiro da "fotografia de rua", Cartier-Bresson sofreu para continuar invisível para os sujeitos que fotografava em "momentos decisivos", segundo explicou Travis.

Travis disse que ele mesmo se sentiu como um ladrão ao selecionar fotos de Mondrian, Dalí e de Chirico entre a coleção do Instituto para colocar ao lado das fotos de Cartier-Bresson e os contemporâneos Andre Kertesz, Brassai e outros. Boa parte da coleção do museu é armazenada fora da vista do público ou é emprestada, enquanto galerias novas são construídas ou redecoradas.

O olho de Cartier-Bresson foi treinado com o estudo de pintura e composição do artista Andre Lothe, cuja mentalidade foi absorvida pelos fotógrafos, artistas e poetas que circulavam pelos cafés parisienses. Muitos foram influenciados pela crença surrealista de libertar o inconsciente.

"Agora que vimos esses diários... Há muito o que aprender", disse Travis. "Cartier-Bresson era desesperado para ser pintor, quando adolescente e depois dos 20 anos".

"A geometria e a composição que ele aprendeu com a pintura foram transferidas diretamente para a fotografia", completou Travis.