25 de Setembro de 2008 / às 17:45 / 9 anos atrás

ESTRÉIA-Kevin Costner estrela "Promessas de um Cara-de-Pau"

SÃO PAULO (Reuters) - O cineasta Frank Capra morreu há quase 20 anos, mas a forma como encarava o mundo de vez em quando é ressuscitada no cinema. Agora é a vez de “Promessas de um Cara-de-Pau”, que estréia em circuito nacional e traz Kevin Costner (“Dizem por aí”), Dennis Hopper (“Terra dos Mortos”) e Madeline Carroll (“Resident Evil: Extinção”) nos papéis centrais.

Costner é Bud Johnson, um sujeito pacato mas sem qualquer ambição na vida. Sua filha é Molly (Madeline), precoce e com o coração recheado com o idealismo típico dos jovens. Para ela, que leva tudo tão a sério, ‘votar é um dever cívico’, mas vive desapontada com o pai beberrão. No dia da eleição, ela pede para ele não se esquecer de votar.

O pai, claro, acaba esquecendo enquanto ela o espera no local de votação. Quando Molly percebe que o pai não chegará a tempo, vota por ele e uma série de acontecimentos fazem com o que o voto de ‘Bud’ seja computado sem registrar em qual candidato ele votou. No final, a eleição está empatada --por mais inverossímil que possa parecer-- e o desempate depende apenas do voto de Bud, que poderá votar novamente dentro de 10 dias.

Bud e a pré-adolescente Molly se tornam alvo de políticos, imprensa e curiosos --todos tentando convencer o pai a escolher o melhor, seja lá o que for o melhor. Os dois candidatos, o republicano Andrew Boone (Kelsey Grammer, de “X-Men: O Confronto Final”) e o democrata Donald Greenleaf (Hopper), vão à cidadezinha onde moram os Johnsons para tentar conquistar pessoalmente o imprescindível voto de Bud.

O roteiro, assinado pelo diretor Joshua Michael Stern e Jason Richman (“Perigo em Bangkok”), não se esquiva em abordar assuntos em pauta nos Estados Unidos em ano de eleições presidenciais, como aborto, meio ambiente e casamento gay. Mas a veia cômica de “Promessas de um Cara-de-Pau” aparece mais evidente quando os políticos se mostram capazes de qualquer armação --inclusive trair os princípios dos seus partidos-- por um voto.

Com suas atitudes acomodadas, Bud também não pára de decepcionar Molly, que percebe que a política não passa de um jogo. Ao mesmo tempo, o pai da garota começa a perceber que uma pessoa pode fazer a diferença para a sociedade inteira.

Nesse personagem, Costner está longe do tipo sedutor e centrado que representou muito bem em filmes como “O Guarda-Costas” e “JFK”. Aqui, ele se mostra desleixado, nunca se barbeia e vive sempre meio embriagado. O contraponto ideal para a filha perfeita e excessivamente certinha.

“Promessas de um Cara-de-Pau” fala, num primeiro momento, diretamente com os americanos --ainda mais em ano de eleições presidenciais no país-- mas a sua idéia de que cada um tem o poder de mudar o mundo não tem fronteiras.

Por Alysson Oliveira, do Cineweb

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