25 de Setembro de 2008 / às 19:56 / em 9 anos

Angelica Huston fala sobre seus papéis incomuns

Por Jill Serjeant

LOS ANGELES (Reuters) - Em uma carreira no cinema que já se estende por quase 40 anos, a atriz premiada com o Oscar Angelica Huston já representou muitos personagens bizarros.

Pense em Morticia Addams de "A Família Addams", da Lilly em "Os Imorais" e da matriarca de "Os Excêntricos Tenenbaums".

Seu trabalho mais recente, a comédia negra "Choke", estréia nos EUA na sexta-feira. Huston faz uma mãe demente, que vive em um asilo, e cujo filho viciado em sexo faz de conta que está passando mal em restaurantes para receber apoio e dinheiro de outros comensais.

Huston, 57 anos, recebeu um Oscar pelo papel de filha de um chefão mafioso em "A Honra do Poderoso Prizzi" (1985). Ela conversou com a Reuters sobre sua atração por papéis incomuns e como atrizes de mais de 35 anos sobrevivem em Hollywood, um ambiente obcecado pela juventude.

P: Ao longo dos anos você já fez vários personagens estranhos. Esses papéis a atraem, ou você é vista como a atriz certa para eles?

R: Tenho tido a sorte de poder fazer minhas escolhas próprias e não ser guiada por muito senão meus instintos. Mas acho que costumo, sim, ser convidada para fazer certos tipos de mães, geralmente não as mães loiras e boazinhas. Elas são mães mais perigosas. No caso de "Choke", é uma mãe demente. Sempre é divertido encontrar o tom certo para representá-las.

P: O que a atraiu na personagem Ida, em "Choke?"

R: Achei a personagem fascinante e gostei da idéia de representá-la mais jovem e mais velha. Este filme nos faz refletir. Ele fala de como tentar satisfazer a fome enorme de amor, afeto e atenção, algo que o pobre Victor nunca vai receber de Ida.

P: Atuar ainda é tão divertido quanto era quando você começou?

R: Sim. Cada papel me abre uma vida nova. Cada um tem seu conjunto próprio de problemas e respostas. Atuar me deu tanto - os lugares para os quais viajei, pessoas e diretores com quem trabalhei. Não existem duas experiências que sejam iguais.

P: Não falta trabalho para você, com três outros filmes a serem lançados este ano e outros quatro no próximo ano. Você se identifica com as atrizes que dizem que não há bons papéis em Hollywood para atrizes de mais de 35 anos?

R: Eu me solidarizo com elas, se essa for sua verdade. Mas existem coisas que podemos fazer. Talvez a gente não receba papéis tão importantes quanto antes, nem ganhe tanto dinheiro quanto ganhava. Mas, se você é uma atriz séria, você procura uma peça na qual trabalhar ou faz um papel pequeno em uma série. E, se não consegue encontrar alguém que queira empregá-la, monta seu espetáculo próprio. O que você não faz é ficar sentada, reclamando que não tem trabalho.

P: O que você faz para relaxar?

R: Passeio com meus cachorros. Nado no mar, ando a cavalo, ouço música, escrevo cartas, visito amigos e danço. Adoro dançar.

P: Quais são suas maiores preocupações?

R: Eu me preocupo muito com meus papéis, com minhas falas. Antes de começar um trabalho novo, passo noites em claro. Me preocupo com o bem-estar das pessoas que amo. Me preocupo com a possibilidade de este país ser governado por republicanos outra vez. Me preocupo com o aquecimento global e as coisas sinistras que acontecem com o planeta. Tenho medo de que este país acorde e só perceba o que está acontecendo quando já for tarde demais.

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