1 de Outubro de 2008 / às 18:32 / 9 anos atrás

Morre cartunista Yefimov, que satirizou os inimigos soviéticos

<p>Boris Yefimov em foto de arquivo de 2004. Ele morreu aos 108 anos, informou sua fam&iacute;lia na quarta-feiraAlexander Natruskin/Files (RUSSIA)</p>

Por Dmitry Solovyov

MOSCOU (Reuters) - Morreu aos 108 anos o cartunista soviético Boris Yefimov, que satirizou Adolf Hitler e os Estados Unidos, sob ordens da liderança soviética. A notícia foi dada nesta quarta-feira por seus parentes.

A caricatura que Yefimov fez de Hitler, na qual ele aparece como um lunático, foi publicada em jornais soviéticos durante a 2a Guerra Mundial e tinha o objetivo de manter a moral dos militares. Os soldados do Exército Vermelho recortavam suas charges dos jornais e as levavam no bolso.

Em entrevistas, Yefimov disse que o líder nazista o pôs numa lista de figuras soviéticas que seriam enforcadas em Moscou, após capturadas.

Sob as ordens do ditador Josef Stalin, ele satirizou os Estados Unidos, desenhando um Tio Sam cheio de mísseis e uma nota de um dólar, caso os leitores não entendessem a piada.

Ele recebeu a maior honraria da União Soviética pelo seu trabalho, mas também tinha familiaridade com o lado negro do regime comunista. "Você sabe, o xis da questão é que o meu trabalho é uma arma. Os cartuns têm de provocar, têm de ser afiados, têm de expor e têm de satirizar", disse ele em 2004.

Até o fim de sua vida, ele manteve uma boa memória e disse que se arrependia de alguns dos trabalhos que fez no passado.

"Não poderia recusá-los... Mas hoje eu me lembro (deles) com desapontamento", disse ele à Reuters em 1998. "Dizer 'Não, não quero fazer isso, atirem em mim!' seria ingênuo".

O cartunista começou sua carreira quando os bolcheviques assumiram o poder, em 1917.

"Boris Yefimov é o mais político de nossos artistas gráficos", disse Trotsky no prefácio de um de seus livros de charges, publicado em 1924. "Ele conhece política, gosta de política e a penetra em todos os detalhes. Este é seu traço mais forte".

Em sua carreira memorável, Yefimov viu Lenin discursar em 1922, testemunhou Hitler em Berlin, em 1933, além dos julgamentos dos líderes nazistas em Nuremberg, no fim da guerra.

Ele disse que o segredo de sua longevidade era não seguir nenhum plano especial. "Encontro meus amigos frequentemente, para beber vodca, conhaque e cerveja, e como de tudo. Não sigo nenhuma dieta".

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