Filme de Spike Lee irrita ex-guerrilheiros italianos

quarta-feira, 1 de outubro de 2008 15:38 BRT
 

ROMA (Reuters) - O diretor de cinema Spike Lee provocou uma polêmica na Itália com um filme sobre soldados norte-americanos negros que lutaram ao lado de guerrilheiros da resistência italiana na Segunda Guerra Mundial.

Os membros sobreviventes da resistência à ocupação nazista na Itália discordaram de "Miracle at St. Anna" antes da estréia italiana do filme na sexta-feira, distribuindo panfletos de protesto que acusavam Lee de distorcer a história.

Lee disse que quer passar a limpo o papel desempenhado pelos soldados negros dos Estados Unidos na guerra. O filme é baseado em um romance de James McBride e foca na 92a Divisão Búfalo, que ajudou a libertar a Itália entre 1944 e 1945.

No centro da polêmica está a representação de um massacre de 1944 na cidade de Sant'Anna di Stazzema, na Toscana, onde tropas nazistas cercaram e mataram 560 civis.

No filme, o massacre é retratado como uma resposta às ações de guerrilheiros da resistência, com um deles traindo a cidade e cooperando com os nazistas -- uma versão dos eventos que irritou os sobreviventes da resistência.

Lee, que está na Itália promovendo o filme, respondeu às críticas com seu jeito tipicamente mal humorado.

"Eu não permitira que ninguém me dissesse como fazer um filme, seja ele um ex-membro da resistência ou o presidente dos Estados Unidos", disse Lee em uma entrevista coletiva em Florença na quarta-feira depois de uma exibição prévia, de acordo a imprensa italiana.

"Isso simplesmente mostra que na Itália a ferida ainda está aberta. É assunto dos italianos desentender-se com o seu passado, não é meu ou de James McBride, ou do filme", disse.

Membros da associação Anpi de guerreiros da resistência não estavam contentes.   Continuação...

 
<p>O diretor de cinema Spike Lee provocou pol&ecirc;micas na It&aacute;lia com seu nome sobre soldados norte-americanos negros que lutaram ao lado de guerrilheiros da resist&ecirc;ncia italiana na Segunda Guerra Mundial. REUTERS/Vincent Kessler</p>