October 6, 2008 / 2:56 PM / 9 years ago

Eleições nos EUA suscitam filmes politizados em Hollywood

4 Min, DE LEITURA

<p>Vista noturna da entrada do local onde acontecer&aacute; o debate presidencial entre o republicano John McCain e o democrata Barack Obama, na Belmont University, em Nashville.Rick Wilking</p>

Por Alex Dobuzinskis

LOS ANGELES (Reuters) - Hollywood prepara para as próximas semanas uma série de filmes políticos que tratam de todos os temas polêmicos atuais, no momento em que a campanha presidencial dos Estados Unidos se aproxima do clímax.

Desde religião até patriotismo, direitos dos gays e a presidência de George W. Bush, os diretores estão divulgando abertamente suas posições políticas, usando comédia, fantasia e histórias verídicas para transmitir mensagens diretas aos eleitores norte-americanos que se preparam para escolher entre o democrata Barack Obama e o republicano John McCain em 4 de novembro.

"Existe a impressão agora de que esses filmes políticos podem fazer sucesso", disse Robert Thompson, professor de mídia e cultura popular na Universidade Syracuse.

Na próxima semana chegará aos cinemas dos EUA a cinebiografia satírica "W.", do diretor Oliver Stone, que se propõe a desconstruir a fé e o casamento de Bush e a fase que antecedeu a invasão do Iraque, em 2003.

Tom Ortenberg, produtor executivo de "W.", disse que os criadores do filme espelharam a sociedade, embora a data de lançamento do longa possa ser vista como tendo objetivos políticos.

"Não procuramos moldar a sociedade, mas a refletimos", disse Ortenberg. "O filme analisa como um homem como George W. Bush pôde tornar-se presidente, e, francamente, como qualquer pessoa pode tornar-se presidente."

A farsa "An American Carol", de David Zucker, e o documentário "Religulous", do apresentador de talk show Bill Maher, que zomba da fé religiosa, estrearam nos cinemas no mesmo dia da semana passada.

Criador das comédias de sucesso "Apertem os Cintos - O Piloto Sumiu!" e da série "Corra que a Polícia Vem Aí", David Zucker é ex-liberal que se tornou conservador.

"An American Carol", cujo título faz referência a "Canção de Natal", de Charles Dickens, traz uma versão fictícia do populista de esquerda Michael Moore, que, no filme, acaba amando os EUA, assim como Scrooge, na história de Dickens, aprende a dar valor ao Natal.

"Não acho que Moore odeie os EUA", disse Zucker. "É uma licença dramática."

O próprio Michael Moore lançou seu documentário mais recente, "Slacker Uprising", no mês passado, gratuitamente na Internet. O filme foi visto por 2 milhões de internautas nos três primeiros dias na rede.

Embora o filme documente a turnê de palestras de Moore em universidades antes da eleição de 2004, seu lançamento na Internet foi acompanhado de uma súplica aos jovens para que votem e "salvem este país de mais quatro anos de governo republicano."

Com a discussão em torno do casamento gay ganhando força na Califórnia, já está sendo exibido o trailer da cinebiografia "Milk", em que Sean Penn representa o primeiro político eleito abertamente gay da Califórnia, Harvey Milk, assassinado em 1978, numa época em que o movimento gay estava em seus primórdios.

Depois da bilheteria decepcionante no ano passado de vários filmes sobre a guerra do Iraque, incluindo "O Suspeito" e "No Vale das Sombras", resta ver se o público americano vai aderir aos filmes políticos com o mesmo entusiasmo com que vem acompanhando a apertada disputa pela Casa Branca.

Mas Thompson disse que de qualquer maneira é encorajador ver tantos filmes políticos chegando aos cinemas.

"É bom saber que você poderá ir ao shopping e ver algo que não seja helicópteros explodindo, personagens de quadrinhos ou Julia Roberts se apaixonando", disse ele.

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