Blockbuster russo segue script do Kremlin

segunda-feira, 6 de outubro de 2008 18:09 BRT
 

Por Michael Stott

MOSCOU (Reuters) - O mais recente blockbuster russo espera atrair o público estrangeiro com uma história épica de amor trágico em meio ao caos da Guerra Civil do país; e sua política se harmoniza muito convenientemente com o sentimento patriótico promovido pelo Kremlin.

"Admiral" (Almirante), que faz sua estréia mundial nesta segunda, glorifica a figura de Alexander Kolchak, herói naval que liderou as forças russas brancas na batalha contra os bolcheviques na Sibéria e tornou-se Governador Supremo da Rússia, antes de morrer fuzilado pelos comunistas.

Tachado de inimigo czarista do povo na época soviética, Kolchak está na moda outra vez, no momento em que o Kremlin procura religar a Rússia ascendente de hoje ao glorioso passado imperial do país, soterrando os 74 anos de interlúdio comunista.

"É muito importante falarmos de nossa história, nosso país, nossos oficiais", disse o diretor do filme, Andrei Kravchuk, em entrevista.

"Se compreendermos que tivemos essa história, essas pessoas, poderemos nos encher de dignidade, e o conceito de pátria e patriotismo, que pode parecer gasto e superado, ganha significado novo, concreto, visível."

Os responsáveis pelo filme esperam que o épico tenha o mesmo sucesso na Rússia e no exterior que um sucesso anterior dos mesmos produtores, o terror "Guardiões da Noite", de 2004.

Com orçamento de 20 milhões de dólares, enorme pelos padrões russos, "Admiral" mostra Kolchak como destemido comandante naval, pai amoroso, amante arrojado e líder consciencioso dos russos brancos em seu derradeiro embate com os bolcheviques.

Depois de despedir-se de sua amante -- a mulher de seu melhor amigo --, ele enfrenta o pelotão de fuzilamento bolchevique com coragem na noite de inverno, em pé diante da catedral e negando-se a ser vendado. Seus carrascos envolvem seu corpo numa mortalha branca e o atiram no rio, por um buraco cortado no gelo.   Continuação...