October 6, 2008 / 9:30 PM / in 9 years

Dissidente norte-coreano toca "Amazing Grace" nos EUA

4 Min, DE LEITURA

Por Arshad Mohammed

WASHINGTON (Reuters) - Um pianista dissente norte-coreano tocou "Amazing Grace" no Departamento de Estado dos EUA na segunda-feira, num recital promovido com o intuito de chamar a atenção para as violações de direitos humanos cometidas na Coréia do Norte, sem entretanto atrapalhar as delicadas negociações nucleares.

De acordo com o Departamento de Estado, o músico Cheol Woong Kim fugiu duas vezes para a China e foi enviado de volta à Coréia do Norte, até escapar para a Coréia do Sul, em 2003, onde formou a "Banda de Artistas de Pyongyang" com outros refugiados norte-coreanos.

Ao apresentar Kim ao público, a subsecretária de Estado Paula Dobrinsky disse: "O histórico de direitos humanos do regime é abissal, não apenas no que diz respeito à negação da liberdade de expressão, mas aos relatos de tortura, trabalhos forçados, abortos forçados e execuções".

Antes de sentar-se para tocar na sala Benjamin Franklin do Departamento de Estado, o pianista falou sobre a opressão sofrida na Coréia do Norte, seu anseio por expressar-se e seu espanto por estar apresentando-se em Washington.

Falando com a ajuda de intérprete, ele disse: "Já que estou tocando no Departamento de Estado hoje, minha próxima apresentação pode até ser no espaço."

Kim tocou uma peça de Chopin, duas canções coreanas e "Amazing Grace", considerado o hino do movimento americano dos direitos civis.

Os EUA criticam duramente a Coréia do Norte por suas violações dos direitos humanos, mas estão tentando persuadir o país pobre e isolado a desistir da busca por armas nucleares.

Um alto representante americano que pediu anonimato disse que a apresentação de Kim visa chamar a atenção para as violações dos direitos humanos na Coréia, mas não a causar constrangimento ao regime.

Um acordo multilateral que prevê ajuda à Coréia do Norte em troca de desarmamento parece estar em perigo desde que, no mês passado, Pyongyang prometeu reconstruir a usina nuclear de Yongbyon, fonte de seu plutônio enriquecido. A atitude teria sido tomada porque Pyongyang sentiu-se ofendida ao não ter seu nome tirado da lista negra dos EUA de países que patrocinam o terrorismo.

O negociador-chefe dos EUA junto à Coréia do Norte, secretário de Estado assistente Christopher Hill, foi a Pyongyang na semana passada num esforço para salvar o acordo de desarmamento.

O Departamento de Estado disse que não divulgará detalhes sobre os resultados da visita de Hill até este transmitir à secretária de Estado Condoleezza Rice informações detalhadas sobre as conversações, o que ele deveria fazer na noite de segunda-feira.

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