Leiloeiro prevê boom de arte coreana e do sudeste asiático

terça-feira, 7 de outubro de 2008 10:19 BRT
 

Por Miral Fahmy

CINGAPURA (Reuters) - A arte contemporânea chinesa fará bem em ficar de lado: o presidente de uma das maiores casas de leilões privadas da Ásia acha que a arte coreana e do sudeste asiática vai ser a próxima grande presença no cenário asiático, que, em sua previsão, deve resistir aos problemas que tumultuam os mercados financeiros mundiais.

Daniel Komala, executivo-chefe da casa de leilões Larasati, disse à Reuters que as obras de arte coreanas e do sudeste asiático estão com preços muito baixos, comparados aos preços recordes da arte chinesa contemporânea, e que sua qualidade é boa.

"Devemos agradecer à arte chinesa por trazer o resto da Ásia com ela, mas essa festa precisa acabar, e as obras contemporâneas estão passando por certa correção", disse Komala na terça-feira, antes do leilão "Retratos da Ásia", de arte moderna, que a Larasati fará em Cingapura em 11 de outubro.

Komala citou como alguns de seus artistas favoritos os coreanos Ki Hwan Kwon e Lee Yong-Deok, além do indonésio R.E. Hartanto.

A Larasati, que fez seu primeiro leilão em Cingapura no meio da crise da doença respiratória SARS em 2003, sempre se especializou em arte asiática.

A casa também promove leilões na Europa, e Komala disse que ela ajudou a tornar conhecidos vários artistas asiáticos, incluindo o chinês Yue Minjun e o indonésio Nyoman Masriadi.

O interesse pela arte contemporânea chinesa vem sendo grande nos últimos anos nas casas de leilões de Londres, Nova York e Hong Kong, e os preços foram quebrando recordes sucessivos.

Mas a turbulência financeira global parece ter atingido esse mercado. No sábado, algumas pinturas altamente valorizadas não foram arrematadas num grande leilão da Sotheby's em Hong Kong, um barômetro semestral importante das tendências de mercado entre os maiores colecionadores de arte do mundo.

Komala prevê que as obras de arte sobrevalorizadas irão sofrer, mas acha que o mercado asiático como um todo ainda é resistente, devido à demanda de legiões de novos-ricos das economias rapidamente crescentes da China e Índia, além do boom do Golfo, movido a petróleo.

"Seria ingenuidade dizer que se houver uma crise avassaladora em todo o mundo, o mundo das artes não será afetado. Mas também precisamos entender que o mundo das artes é um pouco diferente do mundo real", afirmou o leiloeiro.