Igreja católica encomenda tela de escocês que pintou Madonna nua

terça-feira, 7 de outubro de 2008 10:39 BRT
 

Por Ian MacKenzie

EDIMBURGO (Reuters Life!) - Uma catedral católica encomendou de um artista escocês respeitado, conhecido pelo retrato nu que fez da cantora Madonna, a maior obra de arte para a igreja da Escócia desde a Reforma do século 16.

O artista Peter Howson, de quem foi encomendada a pintura para a Catedral St. Andrew's, em Glasgow, é conhecido por suas imagens religiosas fortes. Mas é provável que seja ainda mais conhecido pelo retrato que pintou de Madonna em 2002.

O arcebispo Mario Conti informou que a Igreja pediu a Howson uma grande tela dramática retratando o martírio de São João Ogilvie, canonizado em 1976 como o primeiro santo novo da Escócia em mais de 700 anos. A tela deve mostrar seu enforcamento em Glasgow, que aconteceu diante de centenas de pessoas.

"Já li tudo o que pude encontrar sobre São João Ogilvie e já completei alguns retratos iniciais. Sinto que já o conheço muito bem, e acho que essa intimidade com ele vai aumentar enquanto pinto a tela, o que acho que deve levar um ano", disse Howson quando o pedido do trabalho foi anunciado.

De acordo com o jornal The Herald, Howson, ao ser indagado se é apropriado que um ex-pintor de nus se envolva em tal projeto, respondeu: "Acho que não houve nenhum artista na história que fosse santo."

O arcebispo Conti acrescentou: "Se você quiser ver nus, vá à Capela Sistina (no Vaticano) -- ali há nus em abundância."

Ogilvie nasceu em 1579, 20 anos depois de o calvinismo tornar-se a religião predominante na Escócia e de a missa católica ser proscrita. Ele estudou na Europa, converteu-se ao catolicismo em 1596 e foi ordenado padre jesuíta em 1610.

Retornando à Grã-Bretanha, foi preso e interrogado em Edimburgo e submetido a um segundo julgamento em Glasgow, onde foi enforcado em praça pública na Cruz de Glasgow, perto da catedral, em 10 de março de 1615. Sua condenação foi justificada pelo fato de ele ter se negado a aceitar a supremacia do monarca -- o rei James 6o da Escócia e 1o da Inglaterra -- em questões espirituais. Além disso, ele admitiu ter celebrado missas, algo considerado um crime capital.   Continuação...