Arte chinesa sofre por crise dos mercados em leilão da Sotheby's

quarta-feira, 8 de outubro de 2008 12:41 BRT
 

Por James Pomfret

HONG KONG (Reuters) - A crise financeira global deu um banho de água fria no boom do mercado de arte chinesa na quarta-feira, quando a Sotheby's informou ter vendido HK$1,1 bilhão (141,6 milhões de dólares) em arte asiática em seu leilão semestral em Hong Kong - cerca de metade do total esperado.

A estimativa prévia feita pela Sotheby's para a série de cinco dias de leilões tinha sido de mais de HK$2 bilhões, mas várias categorias de obras de arte, incluindo jóias, cerâmica imperial chinesa, arte chinesa contemporânea e pinturas chinesas do século 20, ficaram com vários lotes sem vender, com colecionadores e compradores locais apenas assistindo, sem fazer lances.

"Nossos vendedores talvez tenham pecado por excesso de otimismo em relação a certas telas de alto valor, numa categoria que subiu tantas vezes nos últimos anos. É apenas normal", disse à Reuters a presidente da Sotheby's Asia, Patti Wong.

"Embora não tenhamos atingido nossa estimativa prévia mais baixa, este foi o terceiro maior total já obtido num leilão da Sotheby's em Hong Kong."

A performance fraca marca um virada simbólica no mercado de arte chinesa, que até agora parecia estar crescendo sem parar, baseado numa enxurrada de nova riqueza chinesa e no crescente status cultural internacional do país, além de seus festejados artistas principais.

Com o congelamento dos mercados globais de crédito e o derretimento financeiro, os ânimos parecem finalmente ter perdido força no evento semestral da Sotheby's, que, ao lado dos leilões de Londres e Nova York, é visto como barômetro chave do ambiente reinante no mercado de arte.

No leilão noturno de outono de arte contemporânea asiática promovido pela Sotheby's no fim de semana, 19 de 47 obras de destaque não encontraram comprador, enquanto outras tiveram dificuldade em alcançar seus preços mínimos estimados.

Também foi fraca a demanda por obras de arte chinesas do século 20: apenas 39 de 110 lotes foram vendidos, devido à demanda fraca, às avaliações altas e à pouca participação de compradores de fora dos grandes mercados chineses, como China, Hong Kong e Taiwan. Mais de 60 por cento dos lotes no leilão de cerâmica imperial não encontraram compradores.