9 de Outubro de 2008 / às 13:46 / 9 anos atrás

ESTRÉIA -"Mandela" narra amizade entre líder e guarda na prisão

<p>Nelson Mandela. REUTERS/Siphiwe Sibeko (SOUTH AFRICA)</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar de não ser mais manchetes de jornais, o líder sul-africano Nelson Mandela ainda é uma figura que desperta interesse. Por isso é uma pena que o longa “Mandela - Luta Pela Liberdade”, que estréia em São Paulo e no Rio na sexta-feira, não chegue à altura do biografado, dando ao personagem um tratamento excessivamente didático.

Dirigido pelo veterano dinamarquês Bille August (“A Casa dos Espíritos”), o roteiro é baseado num livro de memórias de James Gregory, guarda que cuidou de Mandela quando o líder sul-africano esteve preso na Ilha de Robben. O longa acompanha o relacionamento entre os dois homens ao longo dos anos e como suas vidas se transformam.

“Mandela - Luta Pela Liberdade” começa com Gregory (Joseph Fiennes, de “Shakespeare Apaixonado”), sua mulher Gloria (Diane Kruger, de “A Lenda do Tesouro Perdido”) e filhos chegando à ilha, onde ainda não sabe qual cargo ocupará. Por sua criação, ele acredita que os brancos são superiores, e como cresceu numa fazenda no Transkei, é capaz de falar xhosa, o idioma dos negros locais. Por isso é escolhido para cuidar de Mandela (Dennis Haysbert, da série “24 Horas”), líder do Congresso Nacional Africano -- partido que lutava contra a política de segregação racial “apartheid”.

Mandela é apresentado, ao longo do filme, de forma maniqueísta, sempre superior a todos, inclusive seus colegas de prisão. Gregory, por sua vez, também não tem nenhum respeito pelo prisioneiro e tenta mostrar quem manda, mas nem sempre consegue. Mandela foi preso na década de 1950 e no final dos anos de 1960, e foi nessa época que conheceu Gregory, que o considera o maior terrorista do mundo.

Como “Mandela - Luta Pela Liberdade” é baseado nas memórias de Gregory, a ênfase está na vida dele e de sua família. O líder sul-africano quase sempre é visto como uma figura distante, dotado de grande bondade, mas quase nunca o filme chega ao seu coração ou seu lado mais humano.

August -- duplamente premiado em Cannes, com “As Melhores Intenções” (1992) e “Pelle, O Conquistador” (1987) -- imprime um tom excessivamente didático ao filme, quando a narrativa pedia algo mais elaborado. Afinal, ele está contando a história de um dos mais importantes personagens do século 20, abordando um tema tão explosivo quanto relevante: a igualdade racial.

O elenco se esforça mas seus personagens nunca vão além de um retrato plano de personagens por natureza complexos e repletos de conflitos e nuances. No final, nem as locações da África do Sul salvam o filme.

Por Alysson Oliveira, do Cineweb

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