Crise financeira lança sombra sobre leilões de arte em Londres

quarta-feira, 15 de outubro de 2008 12:37 BRT
 

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters) - O mundo das artes converge sobre Londres esta semana para acompanhar um calendário intensivo de feiras e leilões, e as conversas em torno de coquetéis e canapés vão tratar de se a turbulência financeira atual está prestes a interromper o boom do mercado de artes, que até agora vem desafiando a gravidade.

No último ano, os valores pagos por arte contemporânea marcaram novos recordes, ignorando a crise americana das hipotecas podres e a queda subsequente nos valores de imóveis, ações e petróleo em todo o mundo.

Mas a gravidade dos acontecimentos mais recentes nas bolsas de ações e nos mercados monetários globais, além da crise que atinge o setor dos bancos, leva os especialistas a adotar o tom mais cauteloso em vários anos quando falam das perspectivas do mercado de arte de alto valor.

"Acho que tudo isso é provavelmente um motivo para mais pessimismo -- porque a gravidade dos fatos vem sendo de tal magnitude", disse Anders Petterson, fundador da ArtTactic, que rastreia a confiança no mercado de artes.

"Até pouco tempo atrás, a crise estava sendo sentida, mas ainda não era realmente dolorosa. Nas últimas semanas ela se tornou dolorosa."

As casas de leilões Sotheby's e Christie's ainda confiam que seus leilões de outubro, promovidos de modo a coincidir com a gigantesca feira de arte contemporânea Frieze realizada em Londres a cada outono, vão conseguir sobreviver à crise financeira.

"Temos algumas obras incríveis chegando aos leilões, algumas das quais estão em coleções particulares há 40 anos", disse Pilar Ordovas, diretora de arte do pós-guerra e contemporânea da Christie's em Londres. "O feedback está muito forte, e continuamos confiantes."

Ordova acha que mais investidores estão vendo o mercado de artes como possível refúgio seguro para seus milhões, num momento em que o dinheiro investido em outros setores corre riscos.

"O mercado de arte vem provando ser um investimento muito bom e muito seguro. Em sua ponta superior, as obras vão conservar seu valor, num momento em que outros investimentos são menos estáveis."