Escritor Orhan Pamuk vê no amor uma "doença grave"

quarta-feira, 15 de outubro de 2008 18:57 BRT
 

Por Sarah Marsh

FRANKFURT (Reuters) - O amor verdadeiro assemelha-se mais a um acidente de trânsito que às versões adocicadas que se vêem na ficção romântica, disse o Prêmio Nobel de Literatura Orhan Pamuk na quarta-feira na Feira do Livro de Frankfurt.

O escritor turco estava na maior feira mundial de livros para falar de sua obra mais recente, "Museum of Innocence" (Museu de Inocência), uma história de amor entre Kemal, filho de uma família rica de Istambul, e sua parente distante e pobre. É o primeiro livro que ele lança desde receber o Nobel, em 2006.

Vestindo terno escuro de veludo e camisa azul e usando óculos de aro grosso, Pamuk disse: "O amor foi adocicado de tal maneira na cultura popular que as pessoas se esqueceram do que ele realmente é, e foi por isso que eu quis responder essa pergunta".

"Alguns de vocês esperam que uma história de amor seja doce e enjoativa, mas quando eu falo de uma história de amor, ela se parece mais com um acidente de trânsito ou uma doença grave."

A Feira do Livro de Frankfurt, evento anual que atrai cerca de 300 mil visitantes e dura uma semana, este ano tem como tema central a literatura turca.

Cem editores turcos estão presentes ao evento, além de cerca de 300 figuras literárias e tradutores turcos.

Orhan Pamuk é um dos escritores mais conhecidos de seu país. Seus romances incluem "Neve", "Meu Nome é Vermelho" e "Istambul - Memória e Cidade", que foi traduzido para 58 línguas e já vendeu mais de 7 milhões de cópias em todo o mundo.

"Neve", cujo protagonista é baleado em Frankfurt, encontrou um público especialmente grande na Alemanha, onde vivem cerca de 2,5 milhões de pessoas de ascendência turca.