Diretor de "Cristiane F." nega apologia à gangue Baader-Meinhof

sexta-feira, 24 de outubro de 2008 18:28 BRST
 

Por Silvia Aloisi

ROMA (Reuters) - O diretor alemão Uli Edel disse na sexta-feira que tentou retratar tanto o fascínio quanto o horror suscitados pelo grupo Baader-Meinhof, o movimento guerrilheiro de esquerda que é o tema de seu filme mais recente.

"The Baader Meinhof Complex", que está sendo exibido no Festival de Cinema de Roma, conta a história dos membros fundadores da facção e da trilha de sangue que deixaram em sua esteira, em uma década de atentados a bomba, sequestros e assassinatos.

Rodado em estilo documentário e baseado no best-seller de Stefan Aust, o filme foi escolhido para representar a Alemanha na categoria melhor filme em língua estrangeira no Oscar 2009.

Na Alemanha, onde estreou no mês passado, o filme reacendeu a discussão sobre um capítulo sangrento da Alemanha pós-nazista que ainda assombra o país.

"The Baader Meinhof Complex" dividiu a crítica. Alguns críticos acharam que o filme glamouriza os militantes, representados por alguns dos atores mais famosos da Alemanha, e não deu atenção suficiente ao sofrimento das vítimas e suas famílias.

"Meu objetivo foi levar as pessoas a enfrentar a realidade daqueles anos e também mostrar que alguns dos personagens podiam parecer cool e atraentes, mas depois mostrar-se aterrorizantes", disse Edel a jornalistas depois da sessão em que o filme foi mostrado à imprensa.

"Meu país ainda não se reconciliou com aquele período, e espero que o filme promova esse debate."

Aust, cujo livro é considerado uma obra de referência sobre a guerrilha, acrescentou: "Trata-se de história, mas as pessoas ainda são afetadas por ela, como se tivesse acontecido ontem".   Continuação...

 
<p>O diretor Uli Edel posa durante evento para seu filme "The Baader Meinhof Complex" no festival de cinema de Roma em 24 de outubro. Edel disse na sexta-feira que tentou retratar tanto o fasc&iacute;nio quanto o horror suscitados pelo grupo Baader-Meinhof, o movimento guerrilheiro de esquerda que &eacute; o tema de seu filme mais recente. REUTERS/Alessandro Bianchi</p>