Ex-chefe de segurança, Rimington se destaca com livros policiais

segunda-feira, 27 de outubro de 2008 11:44 BRST
 

Por Dan Williams

LONDRES (Reuters) - Depois de passar três décadas num trabalho em que agentes são informantes, tramas precisam ser frustradas, e não imaginadas, e deixar de cumprir um prazo final pode significar a morte, Stella Rimington parece estar aliviada por ter mudado de ramo, ingressando na ficção.

Contudo, apesar de já estar em seu quinto thriller de espionagem, a ex-diretora do serviço de segurança britânico MI5 fala sobre seus escritos com imparcialidade, como se um processo tão imbuído de fantasia ainda lhe provocasse alguma desconfiança.

"(Escrever livros) é um mundo diferente, sob todos os aspectos", disse ela em entrevista à Reuters.

"Com certeza essa coisa da imaginação é uma diferença muito grande. Você não trabalha com fatos. Pode deixar sua imaginação passear por aquilo que poderia ser ou ter sido, e não o que realmente é", acrescentou.

Rimington, de 73 anos, não é a primeira ex-espiã a ter enveredado pela literatura popular. Graham Greene, Ian Fleming e John le Carre trabalharam na inteligência britânica no exterior. O romancista americano Charles McCarry é um agente aposentado da CIA.

Mas, pelo fato de ser a primeira mulher a comandar o MI5, encarregado de combater ameaças domésticas e não lançar exóticas missões de espionagem no exterior, Rimington traz algo de singular a um gênero que ganhou destaque com a "guerra ao terror" liderada pelos EUA.

A heroína de seus livros é Liz Carlyle, oficial de 30 e poucos anos do MI5 que, discretamente, enfrenta agentes da Al Qaeda, exilados russos que se combatem em solo britânico, um informante do IRA e tentativas de inviabilizar uma cúpula de paz entre Israel e Síria.

Ela também enfrenta o sexismo ocasional no escritório e a dificuldade de encontrar romance em sua vida, enquanto leva adiante sua carreira sigilosa.   Continuação...