Conteúdo sensual da TV desperta gravidez na adolescência--estudo

segunda-feira, 3 de novembro de 2008 12:37 BRST
 

Por Andrew Stern

CHICAGO (Reuters) - A exposição a algumas formas de entretenimento exerce influência corruptora sobre crianças e adolescentes, aumentando a incidência de gravidez entre jovens que assistem a programas contendo sexo e levando crianças que jogam videogames violentos a adotar comportamentos agressivos, disseram pesquisadores dos Estados Unidos nesta segunda-feira.

Pesquisadores da organização RAND disseram que seu estudo de três anos é o primeiro a vincular a programação sensual de canais de TV a comportamentos sexuais de risco entre adolescentes.

"Nossas descobertas sugerem que a televisão pode exercer um papel significativo nos altos índices de gravidez adolescente nos EUA", disse a cientista comportamental Anita Chandra, que chefiou a pesquisa da RAND, uma organização de pesquisas sem fins lucrativos.

Os pesquisadores recrutaram adolescentes de 12 a 17 anos e os pesquisaram três vezes entre 2001 e 2004, perguntando sobre seus hábitos como telespectadores, seu comportamento sexual e gravidez.

Os resultados abrangem 718 adolescentes, entre os quais houve 91 gravidezes. Os 10 por cento dos adolescentes que assistiram aos programas com mais sexo apresentaram o dobro do risco de engravidar ou causar uma gravidez, comparados aos 10 por cento que assistiram a menos programas desse tipo, segundo o estudo publicado no periódico Pediatrics.

O estudo focou 23 programas de TV aberta e a cabo populares entre adolescentes, incluindo sitcoms, dramas, programas de realidade e desenhos animados. As comédias tinham o maior teor sexual, e os programas de realidade, o menor.

"O conteúdo de TV que vemos raramente destaca os aspectos negativos do sexo, seus riscos e responsabilidades", disse Chandra. "Portanto, se os adolescentes estão recebendo informações sobre sexo, raramente recebem informações sobre gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis."

Os índices de gravidez na adolescência caíram nos EUA desde 1991, mas ainda são altos comparados a outros países industrializados.   Continuação...