Oscar tende a favorecer atores que representam personagens reais

segunda-feira, 3 de novembro de 2008 14:49 BRST
 

NOVA YORK (Hollywood Reporter) - Leonardo DiCaprio e Brad Pitt quase certamente serão candidatos fortes ao Oscar na categoria melhor ator; ao que consta, suas atuações são brilhantes em seus filmes a serem lançados em breve, respectivamente "The Curious Case of Benjamin Button" e "Revolutionary Road".

Mas eles correm o risco de enfrentar uma força sutil contra a qual podem fazer pouco: os eleitores do Oscar tendem a favorecer os atores que representam pessoas reais.

Nas últimas seis disputas pelo Oscar de melhor ator, houve três anos em que um ator que representou uma pessoa real concorreu com atores representando personagens fictícios, e em cada ocasião venceu o ator que representou uma pessoa real.

É preciso voltar a 2001 para encontrar um exemplo contrário: a vitória de Denzel Washington pelo papel de Alonzo Harris em "Dia de Treinamento", superando Will Smith no papel de Muhammad Ali e Russell Crowe pelo de Jonathan Nash. Nos outros casos, a estatueta ficou com os atores que representaram figuras da vida real - Ray Charles, Idi Amin e Truman Capote.

Este ano, isso significa que se mesmo apenas um do grupo de atores de primeira linha que inclui Frank Langella (como Richard Nixon), Sean Penn (como Harvey Milk) e Josh Brolin (como George W. Bush) for indicado ao Oscar, todos os outros candidatos terão que concorrer com essa desvantagem.

No caso do Oscar de melhor atriz, o favoritismo pelas atrizes que representam personagens reais é ainda maior: a estatueta ficou com elas em seis dos oito anos desta década. Mas, como atrizes de primeira grandeza como Meryl Streep, Nicole Kidman e Sally Hawkins fazendo papéis fictícios este ano, a tendência pode ser revertida em 2009.

É difícil definir o que leva os eleitores do Oscar a tender nesse sentido. Mas um fator provável é a existência de um quadro de referência: Philip Seymour Hoffman agindo e soando como Truman Capote provavelmente comoverá os eleitores mais do que Terrence Howard agindo e soando como Djay, de "Ritmo de um Sonho", uma pessoa que o membro da Academia nunca terá visto fora do filme.

Além disso, como o eleitor poderia deixar de achar Jamie Foxx, por exemplo, bom em seu papel, se ele até é parecido com Ray Charles?

As coisas nem sempre foram assim. Na década de 1990, personagens fictícios derrotaram pessoas reais na categoria melhor ator em sete das nove ocasiões em que se enfrentaram. E uma atriz que representou uma pessoa real levou o Oscar apenas duas vezes nos anos 1990.   Continuação...

 
<p>Leonardo DiCaprio e Brad Pitt quase certamente ser&atilde;o candidatos fortes ao Oscar na categoria melhor ator; ao que consta, suas atua&ccedil;&otilde;es s&atilde;o brilhantes em seus filmes a serem lan&ccedil;ados em breve, respectivamente "The Curious Case of Benjamin Button" e "Revolutionary Road". REUTERS/Mark Blinch</p>