ESTRÉIA-"Meu Nome é Dindi" revisita passado do cinema nacional

quinta-feira, 6 de novembro de 2008 12:28 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Vencedor do prêmio de melhor diretor estreante no Festival de Tiradentes (MG) deste ano com "Meu Nome é Dindi", Bruno Safadi é um jovem cineasta cujo nome pode ser associado à ousadia e à busca de novas linguagens. O filme estréia em São Paulo e no Rio de Janeiro na sexta-feira.

Colaborador do carioca Julio Bressane em "Dias de Nietszche em Turim" (2001, do qual foi montador), além de assistente de direção em "Filme de Amor" (2003) e "Cleópatra" (2007), Safadi segue um estilo semelhante ao daquele diretor, contando sua história de maneira não-linear e recorrendo a diversas referências de outras épocas do cinema brasileiro -- como a liberdade narrativa do chamado Cinema Marginal, dos anos 60 e 70, à qual pertenceram o próprio Bressane e o diretor Rogério Sganzerla (1946-2004).

A heroína do filme é Dindi (Djin Sganzerla, melhor atriz coadjuvante em Brasília 2007 por "Falsa Loura"), a aflita dona da arruinada quitanda Bananeira. A moça vive momentos de terror, pois pegou dinheiro emprestado com um açougueiro agiota (Carlo Mossy). Como ela não pode pagar a dívida, ele agora a está ameaçando de morte.

Enquanto quebra a cabeça procurando uma saída, Dindi passeia na praia com o namorado soldado (Gustavo Falcão, "A Máquina"). Durante o passeio, Dindi conta ao rapaz a história de seus pais e a sua própria, indicando a origem de seu nome -- que vem da famosa canção de Tom Jobim e Aloysio de Oliveira.

O casal se vê seguido na praia por um palhaço (Nildo Parente), que lhes parece ameaçador e provoca uma reação desesperada dos dois. A verdadeira história daquele homem, porém, está contida numa fita VHS. Este último detalhe leva a crer que Safadi esteja procurando também falar do cinema, seus formatos e sua linguagem. Como de muitas outras coisas. "Meu Nome é Dindi" é interessante justamente por essa vontade de falar de muitos assuntos de um modo original.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)