November 10, 2008 / 1:50 PM / 9 years ago

"Mama África" Miriam Makeba morre após show na Itália

4 Min, DE LEITURA

<p>A cantora sul-africana Miriam Makeba, uma das vozes mais conhecidas da &Aacute;frica e l&iacute;der na luta contra o apartheid durante tr&ecirc;s d&eacute;cadas no ex&iacute;lio, morreu aos 76 anos de ataque card&iacute;aco ap&oacute;s uma apresenta&ccedil;&atilde;o na It&aacute;lia. Conhecida como "Mama &Aacute;frica", ela foi a primeira m&uacute;sica sul-africana a ganhar reconhecimento internacional.Mike Hutchings</p>

JOHANESBURGO (Reuters) - A cantora sul-africana Miriam Makeba, uma das vozes mais conhecidas da África e líder na luta contra o apartheid durante três décadas no exílio, morreu de ataque cardíaco após uma apresentação na Itália. Ela tinha 76 anos.

Conhecida como "Mama África" e "Imperatriz da Canção Africana", Makeba foi a primeira música sul-africana a ganhar reconhecimento internacional, ficando famosa nos Estados Unidos nos anos 1950 com seus vocais poderosos. Ela era detestada pela minoria branca que controlava a África do Sul.

O ex-presidente sul-africano e herói anti-apartheid Nelson Mandela prestou homenagem à cantora, chamando-a de "primeira-dama da música sul-africana" e dizendo que sua música inspirou a esperança.

Makeba adoeceu na noite de domingo, após um concerto na cidade de Baia Verde, no sul da Itália, para divulgar o combate ao crime organizado. A informação é de seu assessor. Ela morreu depois de ser levada às pressas a uma clínica na cidade de Castel Volturno.

"A causa da morte foi um ataque cardíaco, mas ela já não estava bem havia algum tempo", disse à Reuters o assessor de Makeba, Mark Lechat. Ele disse que a cantora vinha sofrendo de artrite.

As emissoras de rádio sul-africanas renderam homenagem a Makeba, lendo mensagens de texto em tributo a uma das estrelas mais amadas no país e em todo o continente.

Miriam Makeba passou 31 anos no exílio depois de manifestar-se abertamente contra o apartheid. Em uma de suas canções, ela exigia a libertação do então futuro presidente Mandela, que passou 27 anos na prisão, combatendo o governo da minoria branca

Makeba enfatizava seu orgulho da herança africana através de seus penteados e roupas tradicionais, popularizando a moda africana.

Sua origem era humilde, tendo nascido numa favela perto de Johanesburgo. Ela foi empregada doméstica. Começou a cantar no coral da escola onde estudou e aprendeu novas canções, ouvindo gravações de jazzistas norte-americanas como Ella Fitzgerald.

Makeba fundiu o jazz com sons tradicionais africanos e pontuava algumas canções com os sons de sua língua, o xhosa.

Ela ficou conhecida no palco internacional como cantora principal da banda sul-africana The Manhattan Brothers. Em Nova York, trabalhou com Harry Belafonte.

Exilada depois de manifestar-se contra o apartheid, criou clássicos como "The Click Song" e "Pata Pata."

Ao mesmo tempo em que conquistava milhões de ouvintes, sua vida pessoal foi marcada pela tragédia. Makeba disse que seu primeiro marido a espancava com frequência. Ela o deixou depois de flagrá-lo na cama com sua irmã.

Em 1968 Makeba se casou com o militante americano "black power" Stokely Carmichael e eles se mudaram para a cidade de Guiné, na África Ocidental. Eles se separaram mais tarde. Ela se divorciou quatro vezes.

Reportagem adicional de Antonella Cinelli em Roma

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