12 de Novembro de 2008 / às 21:16 / 9 anos atrás

Grupo falsifica New York Times e anuncia fim da guerra do Iraque

<p>Uma edi&ccedil;&atilde;o falsa do New York Times circulou na quarta-feira noticiando o fim da guerra do Iraque; a obra seria de um grupo chamado Yes Men. REUTERS/Brendan McDermid</p>

Por Michelle Nichols

NOVA YORK (Reuters) - Um grupo de zombeteiros distribuiu na quarta-feira mais de 1,2 milhão de exemplares falsos do jornal The New York Times, especialmente em Nova York e Los Angeles. “Termina a guerra do Iraque”, era a manchete da edição, datada de 4 de julho de 2009.

O material bem produzido, com 14 páginas, é supostamente obra de um grupo chamado Yes Men, cujos integrantes já se fizeram passar por funcionários da Organização Mundial do Comércio e anunciaram o fim da entidade.

“É falso e estamos investigando”, disse Catherine Mathis, porta-voz do NYT.

Uma nota distribuída por um site criado para essa edição (www.nytimes-se.com) disse que o jornal levou seis meses para ser feito, e que a impressão aconteceu em seis gráficas. A distribuição ficou a cargo de milhares de voluntários.

“Temos de garantir que (o presidente-eleito dos EUA, Barack) Obama e outros democratas façam aquilo para que foram eleitos”, disse Bertha Suttner, que se apresenta na nota como um dos autores do jornal. “Após oito, talvez 28 anos de inferno (desde a eleição de George W. Bush e Ronald Reagan, respectivamente), precisamos começar a imaginar o céu.”

Na capa do jornal, o tradicional slogan do NYT - “Todas as notícias que vale publicar” - virou “Todas as notícias que esperamos publicar”.

Uma das notícias destacadas na capa diz o seguinte: “A ex-secretária de Estado Condoleezza Rice garantiu aos soldados que o governo Bush sabia desde bem antes da invasão que Saddam Hussein carecia de armas de destruição em massa”.

A suposta existência de tais armas -- hoje descartada -- foi o principal argumento do governo de George W. Bush para invadir o Iraque e depor o ditador Saddam Hussein em 2003.

Outros títulos da primeira página dizem: “Aprovada lei do salário máximo”; “Nacionalizado, petróleo vai financiar esforços contra a mudança climática”; “Nação volta seus olhos para a construção de uma economia saudável”.

Na página 3, um anúncio de página inteira - também falso -- diz que a ExxonMobil celebra o fim da guerra do Iraque e que a paz é “uma idéia com a qual o mundo pode lucrar”. A ExxonMobil, com grandes interesses no Iraque pós-Saddam, é a maior empresa de capital aberto do setor global do petróleo.

Num panfleto distribuído aos voluntários que apanharam exemplares para distribuir, havia uma seção de “Perguntas Freqüentes”. Sobre “quem fez isso”, a resposta é “quem sabe?. Há rumores de que o responsável seja um grupo de redatores de vários jornais tradicionais -- inclusive o The New York Times.”

Os Yes Men, retratados em um livro e um documentário em 2004, também já se fizeram passar por executivos da ExxonMobil e do Conselho Nacional do Petróleo para discursar numa conferência canadense sobre o petróleo.

Em outra ocasião, se disfarçaram de agentes do órgão federal de habitação e prometeram, num evento diante do prefeito de Nova Orleans e do governador da Louisiana, liberar residências públicas abandonadas para milhares de habitantes pobres da cidade.

Mas eles não são os primeiros a falsificar o NYT. Segundo o blog “City Room”, ligado ao próprio jornal, o caso mais famoso ocorreu durante uma greve de jornalistas em 1978, e envolveu nomes como o repórter investigativo Carl Bernstein, o escritor Christopher Cerf, o humorista Tony Hendra e o editor da Paris Review, George Plimpton.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below