November 13, 2008 / 2:26 PM / 9 years ago

Obra de Francis Bacon fica sem comprador em leilão de NY

4 Min, DE LEITURA

Por Christopher Michaud

NOVA YORK (Reuters) - Os leilões de arte do outono em Nova York chegaram ao fim na sexta-feira, deixando o mercado contundido, mas não nocauteado.

A Christie's faturou 113,6 milhões de dólares com seu leilão de arte contemporânea e do pós-guerra, metade da estimativa prévia, de 227 milhões. Dos lotes oferecidos, 68 por cento foram arrematados.

O resultado desigual foi semelhante aos obtidos em leilões de arte impressionista, moderna e contemporânea da Christie's e de sua rival Sotheby's nas duas últimas semanas.

O resultado "foi mais ou menos o esperado", disse Amy Cappellazzo, co-diretora internacional de arte contemporânea e do pós-guerra na Christie's, em vista da turbulência dos últimos dois meses nos mercados financeiros mundiais.

Apesar de alguns destaques que incluíram quase 15 milhões de dólares pagos por um trabalho de Richter, 13,5 milhões por um de Basquiat e novos recordes para obras de Joseph Cornell e Yayoi Kusama, o lote principal da noite não encontrou comprador.

"Estudo para um Auto-retrato", de Francis Bacon, era estimado em 40 milhões de dólares ou mais, mas não recebeu nenhum lance que sequer chegou perto de 30 milhões. Os trabalhos de Bacon se valorizaram tremendamente em temporadas recentes, chegando ao recorde de 86 milhões de dólares.

O presidente da Christie's, Marc Porter, disse à Reuters que "o mercado está continuando, mas a um nível de preço diferente".

"Não há pânico no mercado, mas há um ajuste", disse ele, contrastando essa situação com a volatilidade nos mercados de petróleo e imobiliário.

Baird Ryan, diretor administrativo da firma de serviços financeiros relacionados à arte Art Capital Group, concordou com os leiloeiros, dizendo que as duas semanas de leilões, apesar de seu resultado ter ficado um terço abaixo das estimativas feitas antes da crise financeira, indicam que ainda existe demanda por arte.

Ryan notou que houve uma queda de entre 20 e 40 por cento no mercado e que "é uma correção que está acontecendo". Ele disse que as casas de leilões terão que editar suas vendas de modo a oferecer "um grupo selecionado de obras, com estimativas cautelosas".

Mesmo assim, disse ele, é impressionante que "num período de estresse financeiro tão grande ainda seja possível vender 100 milhões de dólares em arte em uma noite".

A escritora e especialista em arte Sarah Thornton, que narrou vários anos passados infiltrando o mundo da arte no livro "Seven Days in the Art World", disse que os leilões "poderiam ter ido muito pior".

"Em vista do estado do mundo financeiro, é notável ver um grupo de pessoas gastando dinheiro assim", disse ela. "Fica claro que ainda há pessoas que têm muito dinheiro a gastar."

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