ESTRÉIA-Guel Arraes ironiza bastidores da TV em "Romance"

quinta-feira, 13 de novembro de 2008 15:03 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Diretor consagrado na TV, em séries como "Armação Ilimitada" (85) e "O Auto da Compadecida" (99), Guel Arraes brinca com o poder dos produtores da telinha em seu novo filme, "Romance", que entra em circuito nacional na sexta-feira.

Com roteiro assinado por Arraes e Jorge Furtado (diretor de "Meu Tio Matou um Cara"), "Romance" tem como ponto de partida a montagem teatral da lenda medieval de Tristão e Isolda, amantes trágicos cuja história teria inspirado o "Romeu e Julieta" de William Shakespeare.

No palco, estão a atriz Ana (Letícia Sabatella, de "Não por Acaso") e o ator e diretor Pedro (Wagner Moura, de "Tropa de Elite"). A fronteira entre realidade e ficção começa a romper-se quando Ana e Pedro apaixonam-se tanto na peça, quanto na vida real. Sem maiores dramas, até o dia em que ela recebe um convite de estrelar uma novela.

Aceitar o convite do produtor Danilo (José Wilker) significa entrar direto na ponte aérea - o teatro fica em São Paulo, a emissora de TV, no Rio. Mais do que esse problema geográfico, entre a novela e a peça, intromete-se o veneno do ciúme entre o casal. Ana faz sucesso na televisão e isso atrai multidões ao teatro. Mesmo assim, as diferenças crescem entre Pedro e Ana e eles se separam.

Uma das brincadeiras a que o roteiro se permite em relação à TV é que sempre fica muito claro o quanto as novelas de Ana têm roteiros banais. Depois de uma série delas, por mais que esteja consagrada, a própria atriz acaba exigindo uma renovação. E surge daí um convite do produtor Danilo para que Pedro crie algo novo para Ana na TV. Desafiado a dirigir algo num meio que ele despreza, ele sugere uma minissérie sobre Tristão e Isolda, adaptada agora como uma saga nordestina.

Nessa montagem na TV, Guel Arraes e o elenco de atores globais - Andréa Beltrão, Marco Nanini e Wladimir Brichta também a bordo - usam de sobra o seu conhecimento da televisão brasileira para criar situações irônicas, mas também para discutir algumas vaidades de sua própria classe.

O melhor de tudo é que "Romance", ao fazer sua própria metáfora, não perde de vista os sentimentos. Há momentos em que o filme genuinamente comove. Sua mistura de comédia, drama, romance e metalinguagem não é nada fácil de obter. Felizmente, o resultado é primoroso, num filme ao mesmo tempo sofisticado e divertido.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)