ESTRÉIA-"A Mulher do Meu Amigo" tenta fazer comédia de costume

quinta-feira, 20 de novembro de 2008 10:34 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Em 2004, quando estreou na direção de longas com "Redentor", Claudio Torres chamou a atenção com seu estilo ácido numa comédia sobre o poder e o caos moral do Brasil contemporâneo. Quatro anos depois, ele volta à direção com "A Mulher do Meu Amigo", que estréia no país nesta quinta-feira, mas sem o mesmo resultado.

Com roteiro assinado pelo diretor e baseado na peça "Largando o Escritório", de Domingos Oliveira, o filme é uma comédia de costumes com personagens, situações e merchandisings mal resolvidos.

Embora seja tecnicamente bem acabado, marca da produtora Conspiração Filmes, responsável por filmes como "2 Filhos de Francisco" e "Casa de Areia", "A Mulher do Meu Amigo" não empolga, seja pela falta de situações realmente engraçadas ou de um elenco com mais "timing" para comédia.

O personagem principal é Thales, interpretado por Marcos Palmeira ("O Homem Que Desafiou o Diabo). Num final de semana numa casa de campo ao lado da mulher, Renata (Mariana Ximenes), e do casal de amigos Rui (Otavio Müller) e Pamela (Maria Luisa Mendonça), ele decide que não voltará mais ao escritório. Ele trabalha com o sogro (Antonio Fagundes), um empresário nada escrupuloso.

Rui precisa voltar para a cidade, e Renata inventa uma desculpa para acompanhá-lo - os dois têm um caso e ninguém nem desconfia. O caminho fica livre para que Thales e Pamela descubram que foram feitos um para o outro.

"A vida é feita de escolhas", diz Thales no início do filme. A de um diretor de cinema também o é. Mas Torres parece ter feito as piores opções possíveis, todas muito calcadas em clichês, a maioria deles, sexuais. Renata é uma ninfomaníaca e, por isso, segue as fantasias de sadomasoquismo e afins com seu amante. Pamela é meio burrinha, não entende nada do que está acontecendo. Thales é idealista demais e Rui, um chato.

"A Mulher do Meu Amigo" sofre também de um mal que atinge algumas produções televisivas do Brasil: a ausência de criatividade na hora de introduzir um merchandising. É natural que uma grande rede de bancos que financiou o filme quisesse colocar a sua logomarca numa cena, mas é exagerado demais colocar um caixa-rápido no escritório de um advogado só para satisfazer ao patrocinador. Nesse momento, Torres consegue arrancar risadas, só que constrangedoras.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

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