Greve contra proposta do governo afeta TV e rádio na França

terça-feira, 25 de novembro de 2008 15:53 BRST
 

Por James Mackenzie

PARIS (Reuters) - Os funcionários do setor público de comunicação na França entraram em greve nesta terça-feira para protestar contra possíveis mudanças que, segundo eles, beneficiarão redes privadas de TV e aumentarão o poder do presidente Nicolas Sarkozy sobre a mídia.

A proposta, que acabaria com a publicidade na estatal France Televisions, foi duramente criticada por sindicatos e pelo Partido Socialista, de oposição. Eles dizem que ela enfraqueceria os fundamentos financeiros da televisão pública e provocaria a perda de empregos.

Programas de rádio e televisão foram interrompidos ou encurtados em vários momentos durante o dia, e a principal atração noturna de notícias da rede France 2 provavelmente seria substituída por uma versão menor, informou a rede.

Além de reformar o financiamento da televisão pública, o projeto de lei daria ao governo o poder de indicar o diretor da France Televisions, nomeado antes pela CSA, órgão independente de supervisão audiovisual.

O governo de Sarkozy, de centro-direita, diz que as medidas darão à France 2 e a outros canais públicos uma base financeira mais sólida, os protegerão da "tirania da audiência" e os encorajarão a inovar mais nos programas.

"A reforma que eu apresentei à Assembléia certamente é a mais importante do setor de comunicação pública em mais de 20 anos", disse ao parlamento a ministra da Cultura, Christhine Albanel, pouco antes dos deputados iniciarem o debate das propostas.

Mas a oposição afirma que a lei vai ajudar principalmente a maior rede privada de televisão da França, a TF1, cujo dono, Martin Bouygues, é amigo próximo de Sarkozy. O projeto também colocaria o setor público de comunicação em controle direto do Estado, dizem os opositores.

"A operação está praticamente completa: em um ano, por meio de uma lei e algumas emendas, Nicolas Sarkozy vai ter colocado quase todo o setor audiovisual da França sobre sua influência", disse o diário Liberation, de orientação esquerdista e ácido crítico de Sarkozy, em editorial.   Continuação...