ESTRÉIA-Em "Queime Depois de Ler", Coens retomam humor negro

quinta-feira, 27 de novembro de 2008 14:04 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os irmãos cineastas Joel e Ethan Coen ("Onde os Fracos não Têm Vez") gostam de investigar o lado negro do ser humano, seja da alma, do coração ou mesmo da moral (ou ausência desta). Outra de suas preferências é subverter gêneros cinematográficos. Em "Queime Depois de Ler", o novo trabalho da dupla, em estréia nacional, eles juntam tudo isso, numa comédia disfarçada como filme de espionagem.

O filme lembra um pouco "Fargo" (1996), ao falar do que as pessoas são capazes de fazer para conseguir o que querem - especialmente dinheiro e sexo.

O ex-agente Osbourne Cox (John Malkovich) está louco para vingar-se da CIA que o demitiu, escrevendo um livro de memórias bombástico. Sua mulher, Katie (Tilda Swinton, de "Conduta de Risco") não vê a hora de livrar-se do marido para ficar com o amante, um investigador federal chamado Harry Pfarrer (George Clooney) - que não quer muita coisa a não ser manter a sua esposa e algumas amantes.

Já Linda Litzke (Frances McDormand) está atrás de uma boa quantidade de dinheiro para fazer diversas cirurgias plásticas, enquanto seu colega de trabalho, o personal trainer Chad (Brad Pitt), parece ser burro demais para desejar qualquer coisa.

É com esses retalhos que os irmãos Coen, que também assinam o roteiro, montam uma rede movida a sexo e ego, que une e separa os personagens. Embora o visual de Linda não a agrade, isso não a impede de encontrar pretendes pouco empolgantes pela Internet enquanto trabalha numa academia. E, como o mundo parece ser pequeno demais, ela conhece Harry (Clooney).

O acaso também é fundamental. O que faz a trama ir adiante é um certo disco de computador no qual está gravado acidentalmente o livro de memórias de Osbourne, que vai parar nas mãos de Linda e Chad. Embora não saibam ao certo o que é aquilo, vêem no CD a chance de conseguir dinheiro rápido.

Como em "Fargo", os crimes andam de mãos dadas com algum castigo - assim cadáveres abundam ao longo de "Queime Depois de Ler", das formas mais bizarras e inesperadas.

Esta é, em sua essência, uma comédia de erros, seguindo o manual dos irmãos Coen, segundo o qual o humor emerge das situações mais absurdas - como Linda e Chad procurando a embaixada russa para tentar vender as informações confidenciais do disco de Osbourne.

"Queime Depois de Ler", no seu saldo final, é uma comédia acima da média das produções norte-americanas, em que a dupla de diretores não parece disposta a nada muito complicado, apenas divertir.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
<p>Diretores irm&atilde;o Ethan Coen e Joel Coen chegando &agrave; cerim&ocirc;nia do filme "Queime Depois de Ler" durante a o Festival Internacional de Toronto, em setembro. REUTERS/Mark Blinch</p>