França devolve tela de Matisse roubada por nazistas

quinta-feira, 27 de novembro de 2008 17:10 BRST
 

PARIS (Reuters) - A França devolveu a seus proprietários de direito, na quinta-feira, uma pintura do mestre francês Henri Matisse tomada pelos nazistas em 1941, depois de seu dono judeu ter fugido da perseguição anti-semita na Alemanha.

"A Parede Cor-de-Rosa", de 1989, foi uma de milhares de pinturas roubadas de famílias judias durante a 2a Guerra Mundial e que acabaram nas mãos das autoridades francesas.

"Devolver esta bela obra de Matisse a seus donos, os herdeiros de Harry Fuld Jr, é um ato de recordação e reparação, finalmente", disse a ministra da Cultura, Christine Albanel, numa cerimônia promovida para entregar a pintura.

A tela, uma entre 2.000 obras de arte roubadas que foram confiadas a museus franceses após a 2a Guerra Mundial, foi exposta recentemente numa mostra de quadros cujos proprietários nunca tinham sido identificados.

Fuld fugiu para a Grã-Bretanha em 1937. Sob uma lei de 1941 que destituía os emigrantes judeus alemães de sua cidadania, o regime nazista tomou seu quadro de Matisse.

A obra voltou a ser vista em 1948, quando foi encontrada perto da cidade alemã de Tuebingen num depósito de objetos roubados deixado por Kurt Gerstein, oficial da SS que cometeu suicídio na prisão em 1945.

Devido a um carimbo da alfândega francesa no verso da pintura, que forneceu a data em que a obra foi exportada legalmente à Alemanha, em 1914, as autoridades alemãs a enviaram de volta à França, em 1949.

Em seguida, ela passou quase seis décadas despercebida, até que um historiador alemão traçou uma conexão entre uma tela cujo desaparecimento foi denunciado por Fuld e uma imagem da tela de Matisse mostrada num banco de dados montado pela França na Internet para tentar rastrear seus donos de direito.

De acordo com cifras do Ministério da Cultura francês, ao final da 2a Guerra Mundial a França se viu de posse de 60 mil obras roubadas pelos nazistas. Até 1949, conseguiu devolver 45 mil delas a seus donos.

Das 15 mil obras que não foram reivindicadas, 13 mil obras de pouco significado artístico foram vendidas e as últimas 2.000, incluindo a tela de Matisse, foram confiadas a museus franceses.