December 3, 2008 / 2:43 PM / 9 years ago

Morre cantora Odetta, porta-voz dos direitos civis nos EUA

4 Min, DE LEITURA

WASHINGTON (Reuters) - A cantora folk Odetta, cujas baladas e canções se tornaram para muitos a trilha sonora do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, morreu aos 77 anos, informou um representante dela nesta quarta-feira.

Douglas Yeager informou que Odetta morreu na noite de terça-feira no Hospital Lenox Hill, em Nova York, depois de dez anos lutando contra problemas cardíacos crônicos e fibrose pulmonar.

"Que o espírito luminoso de Odetta e sua voz vulcânica dos céus continuem vivos por muito tempo", disse Yeager em comunicado. "Sua voz não morrerá nunca."

Nascida em Birmingham, no Alabama, em 31 de dezembro de 1930, Odetta Holmes disse ao Times numa entrevista em 2007 que a música da Grande Depressão, especialmente as canções das prisões e as canções dos trabalhadores rurais do sul do país, ajudaram a formar sua vida musical.

Ela gravou vários álbuns e cantou no Carnegie Hall, em Nova York, além de outras salas de destaque, mas Odetta talvez seja lembrada pela maioria dos americanos sobretudo por sua apresentação curta na marcha a Washington de agosto de 1963, um evento que marcou o movimento pelos direitos civis, em que ela cantou "Freedom".

O Times disse que certa vez Rosa Parks, a mulher que lançou o boicote aos ônibus segregados em Montgomery, Alabama, foi perguntada quais canções significavam mais para ela. "Todas as que Odetta canta", respondeu Parks.

Em 1937, Odetta se mudou com sua mãe do Alabama para Los Angeles, onde se diplomou em música no Los Angeles City College. Mas ela disse ao Times que seus estudos em música clássica e teatro musical foram "um exercício agradável, mas que não tiveram nada a ver com minha vida."

Ela disse que encontrou sua voz verdadeira ouvindo blues, jazz e música folk das tradição afro-americana e anglo-americana.

Ela começou a cantar profissionalmente numa produção de "Finian's Rainbow", mas disse que se sentia mais em seu lugar cantando nos cafés e clubes de San Francisco.

Seu primeiro álbum solo, "Odetta Sings Ballads and Blues", influenciou outra lenda da música folk americana, Bob Dylan. Em entrevista à revista Playboy em 1978, Dylan disse: "A primeira coisa que me fez curtir a canção folk foi Odetta".

Nos primórdios do movimento pelos direitos civis, Odetta disse que suas canções "canalizavam a fúria e a frustração que eu sentia, crescendo" num país segregado.

Após o final dos anos 1960 sua carreira perdeu impulso e suas apresentações e gravações diminuíram, mas ela manteve seu poder dramático e vocal até bem mais tarde na vida. "A voz de Odetta ainda é uma força da natureza" escreveu o crítico James Reed, do Boston Globe, falando de uma apresentação da cantora em dezembro de 2006.

Ela ainda era "uma figura majestosa na música americana, uma porta direta para gerações passadas que hoje estão tão distantes", escreveu Reed.

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