Filha de Franco fala pela primeira vez sobre o ditador espanhol

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008 13:04 BRST
 

MADRI (Reuters) - A filha do ditador espanhol Francisco Franco deu pela primeira vez um depoimento para um livro intitulado "Franco, mi padre" (Franco, meu pai), dos historiadores Jesús Palacios e Stanley G. Payne.

A pesquisa para o livro reúne documentos oficiais, fontes do arquivo da Fundação Franco e um questionário de 500 perguntas entregue com antecedência a Carmen Franco, que o respondeu sem receber pagamento por isso.

É a primeira vez que a filha única do ditador quebra seu silêncio absoluto e deixa um depoimento que possa ajudar a esclarecer mais dados sobre a personalidade de Franco, que não deixou nenhuma memória escrita.

Para Payne, não se trata de uma tentativa por parte de Carmen Franco de limpar a imagem de seu pai. Ele diz que o depoimento dela não é polêmico nem defensivo -- simplesmente atende ao desejo de uma mulher de 82 anos de apresentar sua visão da história.

"Não é uma versão franquista de Franco através de sua filha", afirmou o hispanista americano.

"Acreditamos ter feito o estudo mais equilibrado escrito até agora", disse ele.

Palacios explicou que o livro quer ser objetivo e lançar luz sobre mais detalhes da história da Espanha, através da visão de uma pessoa tão próxima do ditador.

"Não entramos na avaliação de considerações políticas atuais", disse Palacios. "Achamos que Franco deve ser discutido no contexto da história."

Os historiadores disseram que a idéia de comandar uma ditadura não preocupava a Franco e que ele era partidário da pena de morte. Sua filha reconheceu que houve repressão durante o governo de seu pai, mas disse que esse não era um assunto comentado em sua casa.

"Meu pai era quase a favor do 'olho por olho, dente por dente'", confessou no livro.

"A opinião pública de pessoas de fora, como já tinha sido contrária a ele tantas vezes, não lhe importava muito", observou.