ESTRÉIA-"A Fronteira da Alvorada" é paixão no limite da loucura

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008 14:31 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Há um bom tempo, o veterano cineasta francês Philippe Garrel ("Os Amantes Constantes") interessa-se pelas relações de interdependência e até loucura que os apaixonados criam entre si. Em seus filmes - poucos lançados comercialmente no Brasil - o amor está muitas vezes de mãos dadas com a perda da sanidade de seus personagens. Por isso, não é de estranhar que em seu novo trabalho, "A Fronteira da Alvorada", as pessoas enlouqueçam por amor.

O longa, que causou controvérsia quando exibido no Festival de Cannes 2008, onde foi vaiado e ridicularizado, estréia apenas em São Paulo na sexta-feira.

Filho do diretor e protagonista de "Os Amantes Constantes" e "Os Sonhadores", de Bernardo Bertolucci, o ator Louis Garrel interpreta François, um jovem fotógrafo sem muita ambição na vida. Num trabalho, ele conhece a atriz Carole (Laura Smet, de "A Dama de Honra"). A química entre os dois é imediata. Mas, para usar uma teoria apresentada no filme, eles são como dois limpadores de pára-brisas, nunca se encontram. Ou seja, nunca querem a mesma coisa ao mesmo tempo.

Ela é casada e transforma o fotógrafo em seu amante oficial. O caso dura até o retorno do marido traído, que está em Hollywood. Quando este vai embora novamente, o romance entre os dois protagonistas parece ter esfriado. Carole passa o tempo escrevendo cartas de amor tentando reconquistar François, que agora resiste. Enquanto isso, a sanidade da moça acaba aos poucos.

As reviravoltas do filme de Garrel, que inclui até a aparição de um fantasma, evoluem sempre no limite da sanidade dos personagens - questionando a realidade e o delírio. Éve (Clémentine Poidatz, de "Maria Antonieta"), uma nova namorada de François, também tem os seus problemas emocionais. E ele, como uma esponja, também os absorve.

Para o diretor Garrel, o amor, que poderia ser a redenção das pessoas, parece se tornar uma maldição, aquilo que consome cada um até esgotar a energia vital. É uma opção um tanto radical transformar os que amam muito em quase zumbis - mas essa visão de mundo condiz com obras anteriores do cineasta.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
<p>Elenco do filme "A Fronteira da Alvaroda": Clementine Poidatz (esq.), Laura Smet (dir.) e Louis Garrel no festival de Cannes. REUTERS/Vincent Kessler</p>