8 de Dezembro de 2008 / às 13:30 / em 9 anos

Tailândia proíbe Economist por artigos sobre rei -- livrarias

Por Ed Cropley

BANGCOC (Reuters) - A edição desta semana da revista The Economist foi proibida de circular na Tailândia por conter artigos críticos ao rei Bhumibol Adulyadej, disseram funcionários de livrarias nesta segunda-feira, embora não estivesse claro quem ordenou a proibição.

Nem a polícia, nem o Ministério do Exterior ou o Ministério da Cultura, este responsável pelo órgão oficial de censura, disseram estar cientes de uma proibição formal à revista, que reconheceu num artigo que muitos tailandeses sentiriam mal-estar por ela ter quebrado o tabu contra a discussão do papel do rei na política tailandesa.

"A revista foi proibida, mas não sabemos por quem", disse um balconista da livraria AsiaBooks, pedindo para não ser identificado devido à natureza delicada do assunto. "É por causa do que ela publicou sobre o rei."

O ativista da liberdade de expressão CJ Hinke, que dirige a organização Liberdade Contra a Censura na Tailândia, disse que a explicação mais provável é que os distribuidores tenham decidido conjuntamente não vender a edição, que questionou a posição oficial do palácio real de estar "acima da política".

"Essa é uma das proibições em nome da 'harmonia cultural', em que distribuidores e livrarias decidem por conta própria não distribuir", disse Hinke.

"Como sempre, a preocupação do governo é manter as aparências. Os tailandeses não querem que sua roupa suja seja lavada no exterior, em outras línguas. Eles não querem estrangeiros comentando problemas tailandeses", acrescentou.

Uma representante da AsiaBooks, uma das principais livrarias a vender periódicos estrangeiros, negou a existência de uma proibição informal, dizendo que a edição foi prejudicada pelos protestos nos aeroportos de Bancoc na semana passada -- algo que não acontecera na semana anterior, quando os protestos estavam em pleno vigor.

As edições mais recentes das revistas Time e Newsweek podem ser obtidas sem problemas na capital tailandesa.

Os artigos questionaram a neutralidade do palácio na turbulência política que tumultua o país há três anos. Pelas leis rígidas de lesa-majestade vigentes no país, qualquer insulto à monarquia pode ser punido com até 15 anos de prisão.

Não se sabe o que o rei pensa do movimento Aliança do Povo pela Democracia (APD), que ocupou os aeroportos durante oito dias. Mas a rainha Sirikit assistiu em outubro ao funeral de uma manifestante da APD morta em confrontos com a polícia.

Além disso, a APD citou constantemente como sua razão de ser a necessidade de proteger a monarquia contra uma alegada conspiração pelo líder afastado e exilado Thaksin Shinawatra para transformar a Tailândia em república.

Muitos dos 65 milhões de tailandeses vêem o rei como semideus e benévolo "Pai da Nação", que vem agindo como mão firme e sábia no leme, conduzindo o país em segurança em meio às águas turbulentas dos últimos 50 anos.

Não foi possível obter declarações imediatas de um representante da The Economist, cujo correspondente no sudeste asiático deixou a Tailândia recentemente.

Os dois artigos em questão continuavam disponíveis livremente na Internet, através de servidores tailandeses, quatro dias depois de serem postados.

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