Nus, modelos vivos fazem protesto salarial em Paris

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008 17:09 BRST
 

Por James Mackenzie

PARIS (Reuters) - Mais de 20 modelos artísticos de Paris tiraram a roupa na segunda-feira, apesar do frio, para exigir melhores salários, mais reconhecimento e a revogação da proibição de que recebam gorjetas.

Enquanto alguns modelos -- homens e mulheres -- ficaram nus, outros se envolveram em casacos de pele, xales e lençóis coloridos. O protesto teve o aval de duas das maiores centrais sindicais francesas.

Recentemente, a prefeitura de Paris proibiu a prática do "cornet", nome dado à propina dos artistas (em alusão ao cone de papel onde os pintores habitualmente depositam a gratificação para seus modelos).

"Somos muito mal pagos, e sempre foi assim", disse a modelo Carole Kras, que participou do protesto no jardim de um palácio do século 16, onde funciona a secretária municipal de Cultura.

"Sempre recebemos o 'cornet' para compensar parte disso, mas agora querem acabar com ele", disse ela, enquanto seus colegas, trêmulos, se vestiam depois da rápida pose nus.

A manifestação foi pequena em comparação a recentes protestos de professores, ferroviários e servidores públicos, mas, numa cidade com tamanha tradição artística, tem uma repercussão adicional.

Os modelos trabalham para a prefeitura, posando para alunos e artistas profissionais. Kras, que há 15 anos se dedica integralmente ao trabalho de modelo artístico, disse que o salário médio da categoria é de 10 euros (13 dólares) por uma sessão que pode durar até três horas.

Ela disse também que os modelos, classificados como "pessoal especial diverso", querem um reconhecimento profissional mais claro. "É uma profissão, é cansativo. Porque é físico, exige muita resistência, e também é expressivo. Somos artistas que desempenhamos papéis não-falados, sempre penso assim."

Christophe Girard, funcionário da secretaria municipal de Cultura, disse que as autoridades se viram obrigadas a proibir o "cornet" porque a prática foi considerada ilegal. Mas afirmou esperar por uma solução.

"Podemos conversar sobre compensar a diferença no que eles ganham, e podemos ver se o ministério estaria preparado para considerar o reconhecimento disso como profissão", afirmou.