Saramago renova com romance "A viagem do elefante"

terça-feira, 16 de dezembro de 2008 16:45 BRST
 

Por Teresa Larraz

MADRI (Reuters) - Depois de se recuperar de uma doença que o fez temer por sua vida, o escritor português José Saramago volta com um romance: "A Viagem do Elefante". Aos 86 anos, e dois anos após publicar "As Pequenas Memórias", Saramago lança o que prefere chamar de conto baseado em um fato histórico, no qual há 95 por cento de ficção e 5 por cento de realidade.

"É o livro no qual a capacidade inventiva do autor está mais clara", disse o escritor na terça-feira durante o lançamento da obra da Casa de América, em Madri.

"É um livro de imaginação constante, para manter desperta a atenção do leitor com algo que historicamente seria insuficiente, tem que inventar algo", acrescentou.

Salomão é um elefante que, em meados do século XVI, o rei português João III deu a seu primo, o arquiduque Maximiliano, da Áustria, e teve de percorrer a distância entre Lisboa e Viena. Até aí é a história.

A partir desse ponto, Saramago compõe uma obra que pode ser lida como uma metáfora da vida humana, como ele mesmo explicou, mas com "o instrumento de comunicação mais direto com o leitor que é o humor".

Quando o elefante morreu, as patas dianteiras foram cortadas para fazer porta guarda-chuvas, colocados em exposição em um palácio da capital austríaca. "Sem esse final, eu não teria nada para escrever o livro", disse o prêmio Nobel de Literatura.

"Por que essa humilhação?", perguntou-se. "O que dá o significado último à vida é o que se passa depois da morte", acrescentou.

"A viagem do elefante" foi escrito em etapas. A primeira, de fevereiro a junho de 2007. "Não teve mais remédio a não ser parar, o corpo estava mal", disse Saramago.   Continuação...