ESTRÉIA-Viggo Mortensen interpreta nazista em "Um Homem Bom"

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008 15:49 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Co-produção internacional entre Inglaterra e Alemanha, com orçamento de US$ 15 milhões , o drama "Um Homem Bom", é o primeiro filme internacional do brasileiro Vicente Amorim ("Caminho das Nuvens").

O enredo adapta peça teatral de 1981 do dramaturgo escocês Cecil Philip Taylor, mais conhecido simplesmente como C.P. Taylor (1929- 1981), que dedicou-se a retratar o homem comum em diversas situações em sua obra.

Há também um homem comum no centro desta história. Um alemão como tantos outros no ano de 1933, John Halder (Viggo Mortensen, de "Senhores do Crime") é um professor de literatura liberal. Profissional de salário modesto, desdobra-se no cuidado dos dois filhos, enquanto sua mulher, Helen (Anastasia Hille), procura firmar-se como pianista. Ele ainda tem que cuidar também de sua mãe (Gemma Jones), afetada por demência senil.

No meio desse caos doméstico, ele consegue escrever um romance, em que um personagem gravemente doente é submetido à eutanásia. O detalhe atrai a atenção dos nazistas para Halder. Naquele momento, o governo de Adolf Hitler já procurava encontrar justificativas intelectuais para o iniciante processo de extermínio em massa das vítimas preferenciais do regime -- judeus, esquerdistas, homossexuais e opositores em geral.

Nada disso está muito claro para Halder quando aceita um emprego e entra no partido nacional-socialista. Desfrutando agora de um alto posto e salário, ele passa por um lento, mas irreversível processo de transformação. Divorcia-se da mulher, envolvendo-se com uma aluna, Anne (Jodie Whittaker), que incentiva, aliás, sua ambição.

O único obstáculo neste sufocamento moral do protagonista é a amizade com o psiquiatra Maurice (Jason Isaacs, o Lucius Malfoy de "Harry Potter"). Sendo judeu, Maurice enxerga claramente o caráter sinistro do nazismo. É particularmente significativa uma conversa entre os dois em que o psiquiatra contesta o conceito patriótico dos partidários de Hitler, lembrando que judeus como ele, que inclusive lutou na I Guerra Mundial, são tão alemães quanto os demais.

Halder, porém, não se dispõe a analisar a situação da mesma maneira. Entra num processo de negação interno, em que recusa acreditar que deixou de ser um homem bom, como sempre acreditou, a não ser quando é tarde demais.

A história pretende enfocar não os grandes personagens e líderes mas sim as pessoas comuns e até dotadas de bons princípios e discernimento intelectual, como Halder, e que, apesar de tudo, deixaram-se seduzir pelo nazismo.

(Neusa Barbosa, do Cineweb)

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