13 de Janeiro de 2009 / às 15:55 / 9 anos atrás

ENTREVISTA-Glenn Close vê como vital ligação com trabalho

Por Matthew Belloni

NOVA YORK (Hollywood Reporter) - Glenn Close é uma das atrizes mais respeitadas de Hollywood desde que irrompeu no cenário do cinema em 1982 com “O Mundo Segundo Garp” e assustou o público contracenando com Michael Douglas em “Atração Fatal”, de 1987.

Nos últimos anos, a atriz cinco vezes indicada ao Oscar e três vezes premiada com o Tony, vem surpreendendo no papel da advogada Patty Hewes em “Damages”, da FX, papel que no ano passado lhe valeu seu primeiro Emmy. O drama legal iniciou sua segunda temporada na semana passada.

Glen Close recentemente convidou o Hollywood Reporter para um bate-papo em seu apartamento em Nova York.

Pergunta: Ofereceram a você o papel de produtora de “Damages”, mas você recusou. Por que?

Resposta: Já fui produtora antes. Sou produtora em certo sentido, na medida em que não contratariam alguns de meus principais colegas de elenco se eu não estivesse de acordo. Como sou muito voltada ao trabalho em equipe, é importante para mim quem são as pessoas e o tipo de trabalho que fazem. Mas eu não queria a pressão (de produzir).

P: Quanto trabalho de pesquisa você fez para representar Patty Hewes?

R: Me reuni com algumas mulheres que estão no topo de suas áreas de atuação, aqui em Nova York. Elas têm o tipo de intelecto que quero que minha personagem tenha. Mas confio em meus roteiristas. Eles tomam grande cuidado com o conteúdo legal. Quando trabalho com eles, o que eu gosto é de realmente ter a precisão (da terminologia jurídica) e então compreendê-la de modo a poder traduzi-la para o público - porque, se eu não entender, o público tampouco entenderá.

P: Você já representou mulheres fortes tão diversas quanto a marquesa de Merteuil (em “Ligações Perigosas”, de 1988) e Cruela DeVil (“Os 101 Dálmatas,” de 1996, e sua sequência de 2000). Existe algum elemento comum a esses filmes?

R: Há um certo tipo de escrita que adoro. Na terceira página de um roteiro eu já sei se gosto da escrita. O único jeito de descrevê-la é elegante. Nada é excessivo. Nem tudo é evidente. O ator tem margem para ter seus pensamentos, segredos e complexidades. Isso, para mim, é interessante e é simplesmente instinto de minha parte. Eu já aceitei trabalhos depois de apenas ler o roteiro uma vez.

P: Às vezes não são necessariamente filmes grandes, nem papéis principais.

R: Uma das melhores coisas que já fiz em minha carreira foi o papel de Eleanor da Aquitânia em “Bárbaros e Traidores” (2003), na Showtime, e poucas pessoas viram esse filme.

P: Você se sente obrigada a rejeitar certos tipos de roteiros quando acha que eles não vão atrair o público?

R: Prever como um trabalho vai se sair nas bilheterias é arriscado. Você tem que apostar no trabalho. Tem que ser subjetiva. Você escolhe um trabalho não porque acha que vai lhe render um prêmio ou muito dinheiro. Tem que escolhê-lo porque ele toca algo em você, como artista. É preciso ter algum tipo de ligação autêntica com o trabalho.

P: Alguém de sua estatura não precisaria trabalhar 13 horas por dia num programa de TV. O que a leva a fazê-lo?

R: Sinto que estou fazendo o que estou aqui para fazer. Tenho sorte em poder fazer o que gosto e aquilo no qual sou boa. Desistir totalmente disso não seria fácil. Não sei se algum dia estarei preparada para desistir, mas o trabalho vai ficando mais e mais difícil, porque você sabe o que ele vai exigir de você, e há um custo para sua vida pessoal. Você nem sempre consegue estar com as pessoas que gostaria. Para mim, estar nesta profissão há 34 anos é algo que cobra um custo. Não se pode ter tudo. Você tem que encontrar um equilíbrio, e, se tiver sorte, com alguém que lhe dá compreensão e apoio.

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