Dolce & Gabbana preveem religiosos ofendidos com campanha

terça-feira, 13 de janeiro de 2009 17:01 BRST
 

MILÃO (Reuters) - A próxima campanha publicitária de Dolce e Gabbana provavelmente causará polêmica por mostrar homens orando, diz a dupla de estilistas italianos que precisou suspender a divulgação de um comercial dois anos atrás depois de ele ser visto como humilhante para as mulheres.

A mais famosa dupla de estilistas da Itália disse que o fotógrafo Steven Klein captou a essência de sua coleção barroca, inspirando-se no filme "O Leopardo", sobre a decadência de uma família siciliana aristocrática na época da unificação da Itália.

"Nossa próxima campanha vai mostrar homens ajoelhados, rezando", disseram Domenico Dolce e Stefano Gabbana em entrevista ao jornal italiano La Stampa publicada na terça-feira. "Com certeza vão dizer que estamos ofendendo a religião. Em vez disso, a campanha pode ser lida como uma volta aos valores. E há necessidade disso no momento atual."

Em 2007 Dolce e Gabbana retiraram todos seus anúncios da Espanha para "proteger sua liberdade criativa", depois de as autoridades espanholas terem pedido a suspensão de uma campanha publicitária que, afirmaram, humilhava as mulheres.

Um dos anúncios, que Dolce e Gabanna também cancelaram na Itália, mostrava um homem sem camisa segurando uma mulher no chão pelos pulsos, enquanto outros homens assistiam à cena. O anúncio atraiu críticas do grupo de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional e de um sindicato italiano.

Conhecidos pelo uso de ouro e prata em suas criações, os estilistas também disseram na entrevista que não têm sentimento de culpa por venderem artigos de luxo durante uma crise econômica global.

"Trabalhamos com o sentido estético. Temos um sonho a oferecer, e há custos de criatividade", disseram.

"Para nos distinguirmos, precisamos criar coisas que não possam ser copiadas facilmente e que, consequentemente, custam mais caro. Nem tudo é para todos", disseram.

"Criamos jaquetas de crocodilo, feitas sob medida, que custam 30 mil euros. Há pessoas que as encomendam -- cerca de 30 pessoas. É melhor que vender camisetas por 15 a 20 euros cada."   Continuação...