ESTREIA-Documentário passa em revista trajetória da banda Titãs

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 12:25 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - "Titãs, A Vida Até Parece uma Festa", que estreia no Rio de Janeiro e São Paulo, é o tipo de documentário que só poderia ter sido feito por alguém de dentro da banda de rock paulistana. No caso, quem assina a direção é mesmo o vocalista e compositor Branco Mello, dividindo esse crédito com Oscar Rodrigues Alves.

Embora não seja músico, Alves, por sua vez, não é estranho à turma, já que dirigiu seu clipe "Epitáfio" (2002).

Como se pode esperar, "Titãs, A Vida Até Parece uma Festa" é um inventário carinhoso e bastante sincero da trajetória deste que se tornou um dos grupos pop mais influentes do Brasil, desde seu surgimento, em São Paulo, em 1981 - quando era formado por Arnaldo Antunes, Paulo Miklos, Marcelo Fromer, Nando Reis, Tony Bellotto, Ciro Pessoa e Sergio Britto.

Um ano depois, entrariam Branco e o baterista André Jung, este depois substituído por Charles Gavin. Ao longo de sua história, a banda mudou diversas vezes sua formação.

Desde 1986, Branco Mello vinha gravando bastidores de gravações e viagens dos Titãs, acumulando aí imagens inéditas, engraçadas e, para alguns, talvez polêmicas - como momentos em que os roqueiros fumam maconha e que aparecem no filme.

As imagens colhidas por Branco e, a partir de 2002, por Oscar Rodrigues Alves, somaram mais de 200 horas de gravação. Um material bruto ao qual foram acrescentadas outras 100 horas de arquivos de diversas emissoras de TV. Aí, registram-se participações dos roqueiros em programas de auditório, como os de Chacrinha, Bolinha, Raul Gil e do extinto "Perdidos na Noite", comandado por Fausto Silva.

Destas cenas da TV saem alguns dos momentos mais engraçados da edição final do documentário, afinal reduzida a 1h30. Como uma participação dos Titãs no programa de Hebe Camargo, em que ela olha para eles e diz: "Mas isto é punk?" Ao que Branco Mello responde com uma frase visivelmente ensaiada: "Não, é 'Sonífera Ilha'". E logo salta um "playback" da canção desse mesmo nome, que foi o grande sucesso do primeiro álbum da banda, intitulado "Titãs", de agosto de 1984.

Amigos também contribuíram com imagens da primeira apresentação "oficial" do grupo, no Sesc Pompéia, e de um show bastante despojado, no extinto teatro Lira Paulistana, ambos ocorridos em 1982.

O documentário não se esquiva de expor as crises provocadas pela prisão de Tony Bellotto e Arnaldo Antunes por causa de porte de heroína, em 1985, assim como a saída sucessiva de membros do grupo, como Arnaldo Antunes, em 1992, e Nando Reis, em 2002, e, finalmente, a tragédia da morte de Marcelo Fromer, atropelado por uma motocicleta em São Paulo, em 2001.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

 
<p>A banda Tit&atilde;s, cuja trajet&oacute;ria &eacute; retratada no document&aacute;rio "A vida at&eacute; parece uma festa" REUTERS/Jamil Bittar JB/SV</p>