"Drown" é história de amor comovente na NY pós-11 de setembro

terça-feira, 20 de janeiro de 2009 19:26 BRST
 

PARK CITY, Utah (Hollywood Reporter) - "Don't Let Me Drown" é um dos melhores retratos que o cinema já ofereceu da Nova York no pós-11 de setembro, em que a cidade e seus habitantes enfrentam o estresse pós-traumático coletivo enquanto jatos militares a sobrevoam e a fumaça das Torres Gêmeas ainda está no ar.

Superando dificuldades consideráveis, é uma história de amor. Algumas dessas dificuldades estão ligadas ao impacto devastador dos ataques sobre as duas famílias retratadas no filme. Outras se devem a inimizades anteriores entre latinos de origens diferentes no Brooklyn e às guerras culturais que sempre parecem ser travadas entre imigrantes de primeira e segunda geração.

O diretor estreante e co-diretor Cruz Angeles participa da competição dramática de Sundance com um trabalho neo-realista comovente, divertido e altamente emotivo fotografado em estilo enxuto nas ruas do Brooklyn, repletas de pichações. O mercado comercial costuma relutar em permitir a entrada de filmes deste tipo, mas "Don't let Me Drown" certamente se sairá bem em festivais.

Nos últimos anos os filmes latinos vêm destacando a impressionante diversidade do mundo norte-americano de fala espanhola, mergulhando fundo nas comunidades porto-riquenha, cubana, salvadorenha e mexicano-americana, para citar apenas algumas.

Um mês depois do 11 de setembro, Lalo (E.J. Bonilla) e Stefanie (Gleendilys Inoa) se conhecem numa festa de aniversário. Eles não se dão bem. Sem saber que Stefanie perdeu sua irmã no World Trade Center, Lalo faz uma observação insensível, e ela sai, furiosa. Mas o primo de Stefanie (Dennis Kellum) é amigo de Lalo, e este e Stefanie acabam se encontrando de novo e descobrem que se gostam.

O pai de Lalo, imigrante mexicano ilegal, era zelador nas torres, mas hoje trabalha na limpeza do Ponto Zero, em meio à poeira tóxica. Quando tosse, cospe sujeira preta de seus pulmões, enquanto a mãe de Lalo se desespera com seu salário de miséria.

A família de Stefanie é dominicana. Sua mãe luta para manter a família unida, enquanto seu pai tem ódio do mundo devido à morte de sua filha mais velha.

Quando as famílias tomam conhecimento do namoro incipiente, reagem com preconceito. A mãe de Lalo pergunta o que ele está fazendo com uma negra beiçuda. E o pai de Stefanie grita que ela está manchando a memória de sua irmã morta, agindo como vagabunda.

O filme é ágil, mas encontra tempo mais que suficiente para explorar as dinâmicas familiares, as personalidades e as lutas num ambiente inóspito. Mesmo o pai de Stefanie, que é um monstro, ganha alguma compreensão. À noite, longe de todos, ele ouve as mensagens de celular de sua filha mais velha, que nunca apagou. Isso não desculpa seu comportamento tirânico, mas o espectador sente empatia com ele.

Cruz Angeles, que escreveu o roteiro com a produtora Maria Topete, não perde o ritmo em momento algum. O ambiente das ruas e das vidas domésticas dos personagens soa verdadeiro, a crueza do impacto do 11 de setembro sobre todos é palpável, e a tristeza e ansiedade dos personagens não são exagerados em momento algum. Mais uma vez o Festival Sundance nos oferece novos talentos aos quais assistir.