ESTREIA-Documentário que ganhou Oscar denuncia combate ao terror

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009 20:49 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Vencedor do Oscar de documentário em 2008, "Um Táxi para a Escuridão", de Alex Gibney, investiga a morte de um jovem e inocente taxista no Afeganistão, e termina fazendo um inventário de como os EUA desrespeitaram a Convenção de Genebra, ao adotar a tortura contra suspeitos de terrorismo na prisão de Guantánamo.

O filme de Gibney ("Enron - Os Mais Espertos da Sala"- 2005) está sendo lançado em São Paulo e no Rio de Janeiro juntamente com outro documentário de tema próximo. Trata-se da produção italiana "Novo Século Americano", de Massimo Mazzucco, que explora os bastidores dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Preso juntamente com seus três passageiros por milícias locais, no interior do Afeganistão, o taxista Dilawar, de 22 anos, foi entregue às tropas norte-americanas como suspeito de um atentado cometido no mesmo dia.

Nunca se encontraram provas desse envolvimento, nem por parte do motorista, nem dos passageiros. Para Dilawar, o engano acarretou a morte.

Mantido preso na base militar de Bagram, ao norte de Cabul, Dilawar foi repetidamente espancado nas pernas. Também permanecia algemado no teto, privado de sono, permanecendo em pé por horas a fio.

Embora esse tratamento não fosse considerado letal, ele não sobreviveu. Na descrição dos próprios legistas norte-americanos, Dilawar morreu em decorrência desses espancamentos. Suas pernas, segundo seu relatório, estavam reduzidas a uma "polpa", como se "um ônibus tivesse passado por cima delas". Caso sobrevivesse, dizem, não haveria alternativa senão amputá-las.

Uma cópia desse relatório foi entregue à família do taxista, juntamente com seu corpo. Mas só vários meses depois seus familiares souberam como o caso era definido pelas próprias autoridades norte-americanas: "homicídio".

O motivo deste desconhecimento era porque o relatório era apenas em inglês e a única pessoa que os visitou em condições de ajudá-los a traduzi-lo foi uma jornalista do "The New York Times", Carlotta Gall.

Sediada em Cabul, Carlotta foi a primeira a seguir a pista da morte de Dilawar, que foi depois investigada também por um colega nos EUA, Tim Golden. Estes jornalistas, além de militares e membros do próprio governo dos EUA contribuíram para revelar como aquele país adotou progressivamente a tortura como método básico de interrogatório, em nome de uma "guerra total ao terror".   Continuação...